Quem lê / Who's reading

"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto

sábado, 18 de abril de 2015

Enroscada ao mafarrico

Tela: Enroscada ao mafarrico, Carlos Saramago

Sabia que havia de querer fugir
E que havia de querer ficar
Caminhava
Não segura, a esconder ser formosa
A tentar parecer firme
Um pé decidido, outro hesitante
Fingia que não te sabia
Fingia que não me via
Porque não me queria saber
Mas tu sempre à espreita
Esperavas o vacilo
Ofereceste-me um pedaço de fogo
E eu, cansada do inverno
Parei e queimei.
E agora pergunto-me o que vai ser de mim?
Para onde ir a seguir
E quem ser?
Apertas-me mais a ti.
E por ora deixo-me estar
Enroscada a ti,
Mafarrico.

sábado, 11 de abril de 2015

Convexidades

Foto: Vladimir Kush
O que escrevo
Ainda não foi
A não ser na Convexidade
Do Tempo
Engana-me a mão
Nos acertos da alma
Significados pacientes
Aguardam quietos
Que a névoa
A Tempo se desvaneça
Hoje escrevo a Vida
Amanhã
Hei-de reconhecê-la.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Grata, Vida!



Foto: Google
"Velho pássaro, este mundo dorme como um menino e se renova cada manhã."

Thiago de Mello



Para lerem a minha reflexão pela Páscoa, convido-vos a visitar o meu outro cantinho, por aqui:



sábado, 28 de março de 2015

Casca de ovo

Foto da web, autor não identificado

Nascemos do ovo
Picámos a casca
Até sair
Ávidos do Mundo
Ávidos das possibilidades
Inexperientes
Tentámos voar
Caímos e voltámos a voar
Nova queda era certa
Mas ainda procurávamos
As tais possibilidades
O Mundo estava ali.

Como foi que acabámos
De novo
Dentro da casca?


Este poema foi originalmente publicado no:

sábado, 21 de março de 2015

Dúvida

- A dúvida às vezes impede-nos de nos transformamos em mulher-borboleta. -

Abraçada a mim própria
Enrroladinha em mim
Abro os olhos
O espaço é pequeno
A luz é ténue
Braços entorpecidos
Querem esticar-se
A medo
Arrisco
Toco a parede que envolve
Parece maleável
Empurro
Resisto, parece forte
Trago de novo o braço
Contra o corpo frágil que protege
Fecho os olhos
Não consigo adormecer
Os meus olhos não esquecem
A luz que parece vir
Daquele mundo lá fora
Pode ser ilusão
Mas Algo me diz que não é
Que é maior ainda
E se não for para mim?
Se não tiver olhos para a ver?
Enrrolo-me mais
Lentamente a luz esvai-se
Fica uma réstia apenas
Como que um brilho
Sinto frio
Sinto a cara molhada
Cansada
Adormeço.

Não sei quanto tempo
Mas de novo acordo
Sem pensar, espreguiço-me
As mãos e os pés
Tocam o invólcuro
De novo parece mexer-se
Continua escuro
Mas lembro-me da luz
Com as unhas tento vencê-lo
Puxo
Força
Rasgo um pedaço
Mais força
Abro um rasgão
E consigo espreitar
Como há mais luz
Que aquela que para aqui
Passava!

Quanto mais não fui?
Quanto mais posso ser?
Atrevo-me?


sexta-feira, 13 de março de 2015

Obrigada! (Dois pares de anos)


Ontem ainda
Brincava às palavras
Rumo nelas achei
Invento mundos instantâneos.
Gratidão a quem lê
Aqui deixo;
Dois pares de anos
Aniversário, celebro feliz!

Um enorme abraço a todos quantos por aqui vão passando e ficando. É por vocês que estes Instantâneos fazem sentido! :)

sábado, 7 de março de 2015

Redenção

Foto: Brooke Shaden Photography
De mãos lavadas
Pelas lágrimas redentoras
Passo os dedos pela pele
Solta-se a poeira
Que deixei instalar-se.
Vislumbro o branco
Sacudo o que falta
Rejuvenesci
Ou o coração bate agora
De acordo com a idade.
Por debaixo
O sangue parece correr
Pressiono
Sinto, pulsa.
A última lágrima cai
Leva o grão de poeira
Que ainda ali restava
O primeiro que se instalou
Com a primeira lágrima
De tristeza.


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