Quem lê / Who's reading

"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto

domingo, 20 de Julho de 2014

Arte e Dança

# No palco

O pano está caído
A sala a meia luz
O público senta-se,
Expectante.
Entre murmúrios, a ansiedade
De quem vem para ver:
Como será?

No meio das vozes
A pouco e pouco se eleva o pano
Desvenda-se o palco, o espectáculo vai começar!
Adivinha-se já a alegria
Das personagens que se vão lembrar
O imaginário das crianças
E também de quem já o foi
A felicidade não escolhe idades!

De vermelho e preto
Ao som inebriante da salsa
Começa a magia
Os pés movem-se ao som da música
Os braços põem em movimento
O que a música diz;
Os mestres dão o mote!

Sucedem-se cores, passos, gestos
Rápidos, lentos,
Novo ritmo e ainda outro de seguida
O show em movimento
Uma surpresa e mais para vir
A arte da dança
A criar encantamento

Cai por fim o pano
A alegria ouve-se ainda
Apaga-se a luz do palco;
O público leva sorrisos
E a Disney revisitada
Nas cores da dança!


Arte: Alexander Yakovlev

# Nos bastidores

O pano está quase a levantar
O burburinho cresce
A correria aumenta
O colorido das roupas mistura-se
Entre a coreografia a seguir
E as que se preparam para já já
A adrenalina sobe
Vamos começar!

É hora de entrar em palco
A nossa música começa a tocar
Vem o tempo do primeiro passo
A música guia os movimentos
Contamos uma história
Em passos de dança
Movemo-nos ao sabor da arte.
As luzes apagam-se
Hora de sair de cena
Passa-se o testemunho
Correndo para a próxima entrada

E quando o pano está quase a fechar
Todos se juntam
No palco que nos acolheu
A luz apaga-se enfim
Mas apenas no palco
A luz da Arte e da Dança
Segue connosco!

O meu obrigada a todos os professores e colegas da Arte & Dança! Mais um ano e mais um espectáculo que ficam gravados na memória! J



quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Vem



Haiku publicado originalmente no Tubo de Ensaio - Laboratório de Artes, que vos convido a descobrir, por aqui.

sábado, 12 de Julho de 2014

Se visses

Foto: Alex MCQUEEN
Se realmente visses o meu sorriso, verias o que atrás dele com esforço escondo.
Mas dele conheces apenas o contorno dos lábios, que se arqueiam mais ou menos, ao sabor da minha vontade.
Aprendi, como tantos, a ensaiar gestos, a reter a minha mão quando sinto que a água que me refresca pode transformar-se em fogo. A atrasar o passo quando me puxam por aquele trilho, aquele que não quero seguir, aquele que me leva para longe de mim. Atraso o passo, engano-me na saída, não posso revelar o destino, gestos ensaiados.
Ensaio assim a Felicidade, porque a ela o Mundo se habituou, e eu ainda quero um pouco do que era.
Mostro um sorriso. Se realmente o visses, ao meu sorriso, verias o que abertamente te mostro.

Verias que sorrio apenas com os lábios.

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

sábado, 5 de Julho de 2014

Fogo de mim

Arte: Pier Toffoletti
É de dentro de mim que me olhas.
Olhos duros,
Que não quero encarar.
Olhos intensos,
Que me queimam a pele.
Sei que me olhas com os meus olhos.
É por isso que me dói tanto.
Ninguém me olharia tão impiedosamente.
Mas sei que só o teu fogo me renovará.
Olha-me
E diz-me tudo o que vês.
Quando for a minha voz que oiço,
então serei eu o fogo – o que arde sem queimar.

domingo, 29 de Junho de 2014

Cansaço



Diz-me, Mundo, não estás cansado? Tens que estar, não é possível que não estejas cansado! Cansado, sabes o que é? Quando dói, mas uma dor de habituação, na vez daquela dor lancinante da surpresa, aquela que vem quando nos pregam uma rasteira e caímos ao chão de corpo todo. É sim aquela dor que mói, que pressiona os músculos, que os faz moverem-se mais devagar, ainda que a cabeça diga para correr. É isso o cansaço… Deves estar cansado…, não estás?

Pronto! Digo eu primeiro: estou cansada!!! Cansada destas lutas diárias contigo, deste eterno braço de ferro, que ganho nuns dias, perco noutros. Dias de glória, seguidos de dias de amarga derrota. E de bater de frente contigo, das nódoas negras que mal se vêm, mas estão lá… Na minha pele e na tua, Mundo! Não julgues que não tens marcas, porque também as tens, debaixo dessa tua basófia de que és superior a tudo, de que nada te atinge e nada te fere. És tão frágil como eu e como todos os outros. Só te julgas mais forte.

Mas tens a teu favor a vantagem da indiferença. Da indiferença de todos quantos se conformaram e vivem agarrados a ti. Alimentando-se de ti. Controlados por ti. Numa espécie de simbiose aparentemente equilibrada. E nem tu nem eles notam isso. Tu não notas que ninguém te reverencia, que apenas a necessidade e a comodidade os mantêm contigo. Muito menos eles notam que já se perderam a si mesmos…

E eu estou tão cansada… Por isso hoje apetece-me dizer-te que ganhaste! Que desisto! Que me leves tudo! Tudo o que sou, o que acredito, o que quero! Leva, leva tudo! Na realidade já tanto me tiraste, já tantos pedaços faltam neste puzzle embaralhado! Porque não levares tudo??


Leva, e deixa-me! Deixa-me aqui, sozinha, mas livre! Não pedirei nada mais!

# Monólogos da Desalinhada #

sexta-feira, 20 de Junho de 2014

A princesa Laura


(Peço-vos que coloquem o som no máximo, para melhor ouvirem o conto... A minha inexperiência em gravar no computador não ajudou :) )


Para a Laura, a minha princesinha que sempre me faz sorrir e que me abraça com pedaços da sua Felicidade contagiante! Com um enorme beijinho de Parabéns!

~*~*~*~

As histórias infantis também podem ser ouvidas pelos adultos. Mas como vamos crescendo, algumas coisas mudam, e os finais das histórias podem ser diferentes. Por isso, aqui deixo o final desta história, dirigido aos meninos e meninas crescidas:

Final para os crescidos:
A pequena princesa foi crescendo e cresceram também os assuntos do reino com que tinha que se ocupar.
E por isso já não tinha tempo para contar histórias. A pequena cadeira cor-de-rosa ainda estava lá num cantinho do seu quarto. Mas a princesa já não conseguia sentar-se nela. Já estava demasiado crescida.
Mas a verdade é que, subitamente, teve vontade de contar uma das suas antigas histórias, e, como lhe apetecia muito a tarte de morangos da cozinheira Ana, foi até à cozinha e perguntou-lhe se ela se lembrava dessa história.
“Lembro-me, sim, minha princesa, mas gostaria muito de a ouvir outra vez!”
E Laura começou então a contar a sua história de quando era criança.
Logo, logo, na mesa da cozinha surgiu um morango gigante, e a forma de tarte gigante e tudo o mais da história.
Feliz, a cozinheira Ana começou logo a preparar a sua tarte.
A princesa convocou todos os habitantes do castelo para um lanche de tarte de morango e de chá de jasmim.
Sentada numa ponta da mesa, Laura via os sorrisos de todos e percebeu que a sua fada não lançara um encantamento sobre a sua cadeira. Apenas lhe tentara dizer para usar sempre a sua imaginação e pensar em coisas felizes. A Felicidade espalha-se à volta de quem a tem. Era por isso que, todos se sentavam a ouvir as suas histórias. Porque ela os levava a viajar na sua imaginação.
E, de repente, surgiu-lhe a ideia de uma história nova. Sabia que nunca mais iria parar de contar histórias, sempre haveria um tempinho para isso no meio dos afazeres da princesa.
Atrás, pela janela do castelo, saiu uma borboleta azul. Deixando atrás de si uma estrada de pózinhos e perfume.

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