Quem lê / Who's reading

"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto

sábado, 29 de agosto de 2015

sábado, 22 de agosto de 2015

Beijo





Delicada flor

No verde se esconde

Lembra teu beijo 





 (*) Estas flores chamam-se fuschias ou, na linguagem popular, brincos de princesa. Por alguma razão, quando eu era criança, chamava-as de beijinhos.

Haiku publicado originalmente no Tubo de Ensaio - Laboratório de Artes


sábado, 15 de agosto de 2015

[Só hoje] .Amor.

Foto: Google


[Só hoje]
Não sejas tempestade
[Só hoje]
Sê-me calmia;
[Só hoje]
Não sejas maré revolta;
[Só hoje]
Deixa-me flutuar em ti;
[Só hoje]
Não sejas vento uivante,
[Só hoje]
Sê-me brisa fresca;
[Só hoje]
Atreve-te a ser. Amor.

sábado, 8 de agosto de 2015

Paz

Foto: Kawika Singson

Neste pôr-de-sol

Minha alma adormece

A paz encontro


Haiku publicado originalmente no blog Tubo de Ensaio - Laboratório de Artes


No canto superior direito do blog encontrarão um pequeno inquérito para darem a vossa opinião. Passem por lá! :)

sábado, 1 de agosto de 2015

Mulher-Borboleta

Queria suster-te no céu
Mas não podia
As minhas asas
Não me chegavam;
Asas de cores fortes
Mas de frágil tecido
Nasci borboleta
Ao invés de águia real.                                                       

E então me fiz mulher
Para poder caminhar contigo
No meu regaço
Posso enfim envolver-te;
Mantive as asas
Mas já não posso voar
O meu corpo está preso 
À terra
Mas só assim te poderia tocar

Já há muito fui crisálida,
Do casulo nasci borboleta
E por ti
Cresci mulher.

Mulher-borboleta.

Foto: Sokolova_Nadezhda

sábado, 25 de julho de 2015

Dói-me esta capa

Foto: Vadim Stein

Hoje dói-me esta capa, esta capa que já não sei se é dura como aço ou frágil como seda.
Hoje dói-me, como se esta dor fossem encontrões da alma a tentar arranjar mais espaço, quem sabe a tentar sair.
Se ao menos eu soubesse como me alargar ou sequer como foi que a aprisionei…
Não me aprisionaste, parece-me ouvi-la dizer-me, fui eu que escolhi este invólcuro, se tento sair é apenas porque é a hora.
Hora de quê? Pergunto-lhe.
Hora de me veres.


domingo, 19 de julho de 2015

Dois homens e uma corda

Foto: Segurança_Luísa Alvim

Dois homens encontraram uma corda no meio da estrada.
Um viu-a primeiro, um segundo primeiro. Outro agarrou-a primeiro, um segundo primeiro.
Ambos a sentiram sua, dúvidas não havia.
Agora só a força poderia decidir a contenda, com força a puxaram, um de cada lado, à força ela não cedia. À força do outro, nenhum cedeu. Só ao cansaço, nem um segundo antes, nem um segundo depois.
A extremidade ainda comprimida nas suas mãos.
Ouviram então no meio do cansaço uma voz. Era um menino que os chamava.
“Para que precisam dessa corda?” – perguntou.
Olharam um para o outro, um não sabia dizer, o outro também não.
Ao segundo seguinte, ambos a largaram. “Não a queremos mais”, disse um. “Podes ficar com ela”, disse outro.
Então o menino pegou na corda, por ambas as extremidades e levou-a.
Com um grande sorriso, exibiu-a aos amigos e gritou: “Bora saltar à corda?!?”


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