Quem lê / Who's reading

"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto

sábado, 26 de Julho de 2014

Chagas

Arte: Autor não identificado

Ferida aberta
O sangue jorra, quente
O calor adormece
A dor também
Pode tornar-se anestesia;
E enquanto não a olho
Não a sei.
Lembro as cicatrizes
A carne a fechar-se
Como me rasgou a pele
A agulha a suturar
Como pode a cura superar o golpe?
Regeneração ou mera estética,
A chaga desaparece
Ou fica por debaixo da pele?

domingo, 20 de Julho de 2014

Arte e Dança

# No palco

O pano está caído
A sala a meia luz
O público senta-se,
Expectante.
Entre murmúrios, a ansiedade
De quem vem para ver:
Como será?

No meio das vozes
A pouco e pouco se eleva o pano
Desvenda-se o palco, o espectáculo vai começar!
Adivinha-se já a alegria
Das personagens que se vão lembrar
O imaginário das crianças
E também de quem já o foi
A felicidade não escolhe idades!

De vermelho e preto
Ao som inebriante da salsa
Começa a magia
Os pés movem-se ao som da música
Os braços põem em movimento
O que a música diz;
Os mestres dão o mote!

Sucedem-se cores, passos, gestos
Rápidos, lentos,
Novo ritmo e ainda outro de seguida
O show em movimento
Uma surpresa e mais para vir
A arte da dança
A criar encantamento

Cai por fim o pano
A alegria ouve-se ainda
Apaga-se a luz do palco;
O público leva sorrisos
E a Disney revisitada
Nas cores da dança!


Arte: Alexander Yakovlev

# Nos bastidores

O pano está quase a levantar
O burburinho cresce
A correria aumenta
O colorido das roupas mistura-se
Entre a coreografia a seguir
E as que se preparam para já já
A adrenalina sobe
Vamos começar!

É hora de entrar em palco
A nossa música começa a tocar
Vem o tempo do primeiro passo
A música guia os movimentos
Contamos uma história
Em passos de dança
Movemo-nos ao sabor da arte.
As luzes apagam-se
Hora de sair de cena
Passa-se o testemunho
Correndo para a próxima entrada

E quando o pano está quase a fechar
Todos se juntam
No palco que nos acolheu
A luz apaga-se enfim
Mas apenas no palco
A luz da Arte e da Dança
Segue connosco!

O meu obrigada a todos os professores e colegas da Arte & Dança! Mais um ano e mais um espectáculo que ficam gravados na memória! J



quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Vem



Haiku publicado originalmente no Tubo de Ensaio - Laboratório de Artes, que vos convido a descobrir, por aqui.

sábado, 12 de Julho de 2014

Se visses

Foto: Alex MCQUEEN
Se realmente visses o meu sorriso, verias o que atrás dele com esforço escondo.
Mas dele conheces apenas o contorno dos lábios, que se arqueiam mais ou menos, ao sabor da minha vontade.
Aprendi, como tantos, a ensaiar gestos, a reter a minha mão quando sinto que a água que me refresca pode transformar-se em fogo. A atrasar o passo quando me puxam por aquele trilho, aquele que não quero seguir, aquele que me leva para longe de mim. Atraso o passo, engano-me na saída, não posso revelar o destino, gestos ensaiados.
Ensaio assim a Felicidade, porque a ela o Mundo se habituou, e eu ainda quero um pouco do que era.
Mostro um sorriso. Se realmente o visses, ao meu sorriso, verias o que abertamente te mostro.

Verias que sorrio apenas com os lábios.

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

sábado, 5 de Julho de 2014

Fogo de mim

Arte: Pier Toffoletti
É de dentro de mim que me olhas.
Olhos duros,
Que não quero encarar.
Olhos intensos,
Que me queimam a pele.
Sei que me olhas com os meus olhos.
É por isso que me dói tanto.
Ninguém me olharia tão impiedosamente.
Mas sei que só o teu fogo me renovará.
Olha-me
E diz-me tudo o que vês.
Quando for a minha voz que oiço,
então serei eu o fogo – o que arde sem queimar.

domingo, 29 de Junho de 2014

Cansaço



Diz-me, Mundo, não estás cansado? Tens que estar, não é possível que não estejas cansado! Cansado, sabes o que é? Quando dói, mas uma dor de habituação, na vez daquela dor lancinante da surpresa, aquela que vem quando nos pregam uma rasteira e caímos ao chão de corpo todo. É sim aquela dor que mói, que pressiona os músculos, que os faz moverem-se mais devagar, ainda que a cabeça diga para correr. É isso o cansaço… Deves estar cansado…, não estás?

Pronto! Digo eu primeiro: estou cansada!!! Cansada destas lutas diárias contigo, deste eterno braço de ferro, que ganho nuns dias, perco noutros. Dias de glória, seguidos de dias de amarga derrota. E de bater de frente contigo, das nódoas negras que mal se vêm, mas estão lá… Na minha pele e na tua, Mundo! Não julgues que não tens marcas, porque também as tens, debaixo dessa tua basófia de que és superior a tudo, de que nada te atinge e nada te fere. És tão frágil como eu e como todos os outros. Só te julgas mais forte.

Mas tens a teu favor a vantagem da indiferença. Da indiferença de todos quantos se conformaram e vivem agarrados a ti. Alimentando-se de ti. Controlados por ti. Numa espécie de simbiose aparentemente equilibrada. E nem tu nem eles notam isso. Tu não notas que ninguém te reverencia, que apenas a necessidade e a comodidade os mantêm contigo. Muito menos eles notam que já se perderam a si mesmos…

E eu estou tão cansada… Por isso hoje apetece-me dizer-te que ganhaste! Que desisto! Que me leves tudo! Tudo o que sou, o que acredito, o que quero! Leva, leva tudo! Na realidade já tanto me tiraste, já tantos pedaços faltam neste puzzle embaralhado! Porque não levares tudo??


Leva, e deixa-me! Deixa-me aqui, sozinha, mas livre! Não pedirei nada mais!

# Monólogos da Desalinhada #
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