Quem lê / Who's reading

"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto

sábado, 30 de janeiro de 2016

Rebirth

I know it feels like the end
But it’s only one
Of the beginnings
The road is made with them
As a cloth of uneven tissues
None matches the preceding
Or the follower.
Like a rainbow of dreams
Rain reflecting the sun
From the meeting of two foes
Beauty arises
Remembering that life
Came with pane
And the first breath
Exhaled from tears
And so through the sadness
Hapiness will always find a way

To Rebirth.

.

Isa Lisboa


Foto: Matteo Arfanotti

Poema originalmente publicado no Tubo de Ensaio - Laboratório de Artes

sábado, 9 de janeiro de 2016

Amanheceres - Poesia a duas canetas, por Isa e Nuno

Foto: www.pixabay.com
O mar reflecte o céu
O céu bebe no mar
Encontro no horizonte
Um beijo quente
Ao entardecer
E ao acordar
De novo os lábios
Se encontram
Num beijo fresco
A lembrar as águas
Dos teus olhos
Que prometem tempestades em mim.

Isa


O céu ilumina o mar
O mar alimenta-se do céu
Encontro em qualquer ponto
Mil beijos ardentes
Ao anoitecer 
E ao amanhecer
De novo se tocam
Os lábios, em eterno beijo
A lembrar as nuvens
Dos teus olhos
Que prometem
Chuva em mim.

Nuno

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A menina que amava o Natal

Só faltava colocar a estrela no cimo da árvore - entendeu Raquel, em antecipação. Pegou-lhe delicadamente e, com um certo toque de cerimónia, colocou-a no seu sítio. Ali ela brilhava, imponente, todos os Natais.

Fazer a árvore de Natal era um ritual anual que a fazia vibrar desde que se lembrava. A mistura de cores por sobre o verde, o brilho das luzes, a escolha do local onde colocar as bolas de Natal, tudo isso era um pedaço de magia a acontecer. A estrela dava o toque final. Raquel sentia, que, ao colocá-la no cimo da árvore, de alguma forma dava luz ao Mundo, pelo menos um pouquinho. Quando era mais pequenina, não sentia assim esse gesto. Agora, que já tinha passado da idade de acreditar no Pai Natal e que já entendia muito do que via nos noticiários, percebia mais claramente o sentido da frase "Quem dera fosse Natal todos os dias."

Sabia que nem todas as crianças recebiam presentes no Natal ou tinham a mesa cheia de doces e coisas boas no Natal. Talvez nem todas pudessem fazer uma árvore como a dela, com materiais brilhantes, coloridos e perfeitos. Imaginou como seria se o seu Natal fosse assim.

Sentiria falta dos presentes, tinha que o confessar. Mas sentiria mais falta da antecipação, daquela que se tem quando se olha para o embrulho e se tenta adivinha o que está lá dentro. Também sentiria falta dos chocolates embrulhados em papel natalício e dos doces que a mãe faz. mas lembrou-se das tardes em que a família se reúne, ao domingo, com um pão-de-ló e uma caneca de leite quente. Se fosse esse o miminho da noite de Natal, ela também se sentiria feliz. Porque nessas tardes, o que realmente importava não era o bolo, era a sua família, reunida à sua volta.

Até a árvore, de que tanto gostava, poderia ter que a enfeitar com pedaços de papel branco. Sabia que a veria sempre com cor.

Porque o Natal existia onde o Menino queria que ele existisse: no coração dela!

E de cada vez que ela colocava a estrela no cimo da árvore, ele enviava um pouco de Natal, de Amor e de Luz, para todos os corações prontos a recebê-los.

Foto: www.pixabay.com



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Your eyes (Poesia a duas canetas) por Nuno e Isa

Foto: Google

Your mysterious eyes
Your eyes are like a rainbow
Full of colours and life.
Your eyes are like the skies
Full of brightness and infinity
Your eyes are like the ocean
Full of power and emotion
Your eyes are like the sun
Full of light and fun
Your mysterious eyes…



Your eyes see mystery
In mine
And they read them
As if they were a beautiful story
Your eyes
Tell of sweet embraces
That I am safe in your arms.
Your curious eyes
They discover me, slowly, delicately.
Your deep eyes
Eyes were I can float
Calm waters, in strong ocean
Your eyes
Touch me gently
They see me
Your eyes, where I dive
With no fear
Your deep, surprising eyes.


Nuno e Isa

sábado, 12 de dezembro de 2015

Solitudes – Uns olhos


Foram uns olhos grandes, brilhantes, ávidos.
Sobretudo ávidos. E neles se liam sonhos, e esperanças e vida. Sobretudo vida. E liam-se sorrisos, e abraços, e peito aberto ao Mundo. E mãos, mãos estendidas, prontas a agarrar, a segurar. E seguravam. E seguravam-se.
E a vida foi acontecendo, mãos foram-se soltando, nos olhos se foram lendo a pouco e pouco outras palavras. Ainda os olhos não desistiram das primeiras. Mas elas foram desistindo deles.
E os olhos então foram doando palavras, a quem ainda as podia usar. E foram esquecendo que eram olhos brilhantes. E ávidos. Sobretudo ávidos.
Insistiam no entanto em viver. Ainda que agora só conseguissem viver mais devagar. E mais cansados. Teimando cansados. Cansados de teimar, aos dias.
Até que um dia, numa tarde que já se não sabia qual era, por ser tão igual – nesse dia que foi diferente, esses olhos adormeceram. E nessa tarde, ninguém os acordou.
Nas tardes seguintes, os dias continuaram iguais, indiferentes à luz que se extinguiu. E os olhos que um dia disseram sonhos, descansaram do que não foram e foi a realidade alheia que os encontrou, olhos que não conhecia. Os olhos de outrora, se tinham ido, ou se tinham ficado por outros dias. E então coube àqueles olhos desconhecidos olhar à volta, e não encontrando olhar algum, fechar definitivamente a cortina que há muito se abatera sobre aqueles olhos brilhantes. E sonhadores. E cheios de tudo quanto se esvaziou lentamente.


Isa Lisboa

sábado, 5 de dezembro de 2015

Solitudes – O primeiro dia depois de ontem

Foto: Crushed_ Desgarrada - Don_Gato
Acordou cedo e sentiu o Tempo à sua volta. Estranhamente, o Tempo era quente.
Despiu a camisa de dormir e foi tomar banho. Água morna. Passou o sabão azul e branco pelos cabelos, pela pele. Terminou com água quase fria. Sentia menos o calor, agora.
Ao sair, viu-se de relance ao espelho. Voltou atrás. À tanto tempo que não se via: os lábios que há muito não eram beijados, as carnes que nunca foram tocadas, as pregas na pele que a faziam esquecer a possibilidade de novas promessas. O cabelo húmido e branco pingava-lhe pelas costas. Usava-o num rolo, preso com ganchos; não para esconder o branco, mas apenas para o segurar. Nunca conseguiu cortá-lo.
Hoje era o primeiro dia depois de ontem.
Misturado com o calor, sentia ainda o cheiro das flores e ouvia o som das lágrimas que caíram despudoradas. Não as dela, essas só caíram durante a noite, até se sentirem exaustas e a fazerem adormecer.
Vestiu um dos vestidos de ir à rua e calçou as alpercatas.
Saiu e viu que a aldeia continuava. Passou pela igreja e estava vazia. Não entrou. Chegando á venda, aviou-se e, de saco na mão, sentou-se no banquinho em frente. Fechou os olhos e ouviu a voz fraternal. A única que sempre teve.
“Preciso que vás ver dele.”, disse-lhe ela. “Amanhã falamos mais.”
E ela levantou-se.
A casa era duas ruas mais à frente. Usou a sua chave para entrar, e começou a fazer o desenjum para ambos.
Sem precisar de o chamar, ele veio à porta. Também dormiu pouco.
“Hoje não vou à eira.” – disse ele.
“Pois que seja, fico cá contigo hoje. Hoje não é dia de rega. Só amanhã. Ficamos por casa….”
O dia passou-se em silêncio. Sem movimentos.
Anoiteceu.
Hoje era o primeiro dia depois de ontem. Hoje o seu irmão era viúvo.
E hoje ambos começaram a aprender a ser sós um com o outro.

Isa Lisboa
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