Quem lê / Who's reading

"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto

sábado, 27 de Setembro de 2014

Estrelas Chãs


Paulo Gouveia
fotografia
Exposição Estrelas Chãs



Estrelas chãs
De que via serão?
Impressão da láctea
Ou de longínqua morada?
Quanta luz percorreram
Até este Alentejo?
Iluminam os pés
Dos homens adormecidos
Os que pisam esta via térrea
Indiferentes ao caminho
Que se estende
Ainda não o encontraram
Não sabem que o procuram
Esqueceram como ler
As estrelas chãs:
A sua não encontram
O chamamento é ancestral
A linguagem universal
A poeira é esquecimento
Mas o vento não desiste
E no chão
As estrelas esperam…

25.09.14, Marvão


No vídeo podem ver uma parte da exposição “Estrelas Chãs”, de Paulo Gouveia, que descobri na Galeria de Marvão. Segundo o autor explica, estas “estrelas” decoram algumas ruas da região e, nos nossos dias, ninguém sabe o que terão siginficado estas inscrições na calçada…

sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Um abraço

Foto: Descendo, Eduardo Cunha

Durante muito tempo temi o silencio. Quando ele me encontrava, apertava-me tanto, que a única hipótese que me dava era quebrá-lo. De uma única forma o conseguia. Com um grito do peito. Que tirava um pouco de mim a cada dia.
Temia-o. E no entanto chamava-o. Quando não vinha procurava-o como quem quer. Porque só ele me fazia libertar o tanto ruído que tinha. Que não me largava. Que eu não queria deixar ir. Que não podia. Que não queria.
Temia-o. Ás vezes ainda o temo. Ainda faço barulho para me esquecer que ele está ali.
Mas ele espera-me. Paciente. Sabe que volto. Sabe que o preciso.

 # Monólogos da Desalinhada #

sábado, 6 de Setembro de 2014

Dúvida

Foto: Vadim Stein

É do fundo do ventre
Que me salta a dúvida
Poderás tu existir
Poderei eu ser
Se tu não fores?
Sobrevive a terra fértil
Sem raízes que dela se alimentem
Sem ver o verde
Que lhe dará sombra?
Poderá assim
Terra fecunda
Ser estéril?

sábado, 30 de Agosto de 2014

Nadando

Sempre soube nadar só contra a corrente. Se me deixasse ir, afogava-me nas águas que levavam aonde eu já sabia e a calmaria das águas haveria de me engolir até que nada mais restasse.
Não chegaria nunca a terra, seria uma nova antártica. Mas de mim nem lenda ficaria, a história só lembra os derrotados quando há um herói que proclama vitória.
Nem eu o quereria, que me cantasse.
Se a corrente me vencesse os braços, apenas quereria ser esquecida. E esquecer.
A memória do que fui, sabê-la, tê-la presente, seria como afogar-me de novo. A cada segundo que passasse.
E é por isso que não consigo parar de nadar…!

Autor não identificado

sábado, 23 de Agosto de 2014

Dual

Foto: Autor não identificado

Serás a última peça do puzzle
Há tanto tempo por terminar;
Ou serás antes a primeira
Daquele que ainda não comecei?

Qual das faces da lua
Me mostras?
Não te reconheço nem
Quarto-minguante
Nem crescente.
Serás talvez lua cheia
E eu lua nova.

Serás meu Yin
Ou meu Yang?
Saberás que é dos dois
Que preciso...?


Este poema foi publicado originalmente aqui, no Tubo de Ensaio - Laboratório de Artes, blog em que participo regularmente

sábado, 16 de Agosto de 2014

Chuva


É quase Verão e as nuvens abriram-se em rios de gotas.


Tiras-me para dança na chuva?

Arte: Lovers_Darwin Bell

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