Quem lê / Who's reading

"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto

sábado, 16 de maio de 2015

Caminhos

Foto: Andrea Clare
Procurei-te
Tempos e tempos
Talvez anos a fio
Nem sinal nem pista
Nada encontrava
Certa
Da tua existência
Jamais capitulei
Pelas estradas segui
Entre pó e alcatrão
O destino era certo.
Um dia senti-me cheia
Alguém te conhecia
Sabia-te ali perto.
Meus pés
Com energia renovada
Correram mais rápido
Que nunca.
Cheguei, perguntei.
Sim, estiveras ali
Desânimo, partiras.
Sentada numa pedra solitária
Decidia
Se seguia ou atrás voltava.
Um infante se aproximou
Sentou-se à minha frente
Finalmente chegaste!
Era esperada?
Sim, há muitas luas!
Quem to disse? Porquê sou esperada?
Disse-mo quem
Caminho te preparou
Esperada porquê?
Partiu ontem
Sem me o dizer!

sábado, 9 de maio de 2015

Storm

Foto: Autor não identificado

I will always remeber you
As my little storm
Meu porto de abrigo
Águas calmas
Cold drops of rain
Bálsamo na minha pele
Strong wind surrounding
Brisa que me chama a dançar
A hurricane
Despindo-se de mim
A thunder
Embalando o meu corpo
Wimp of nature
Meu cataclismo.

Poema originalmente publicado no Tubo de Ensaio - Laboratório de Artes

sábado, 2 de maio de 2015

Beija-me e cala-me esta dúvida

Beija-me
Cala-me o coração
Que não sabe
Se fuja
Se bata mais depressa
Beija-me
Cala-me o calafrio
Que percorre a espinha
Quando me olhas
Como se me tocasses
Beija-me
Cala-me as mãos
Que querem percorrer-te
Mas não sabem se
Beija-me
Cala-me os lábios
Que falam
Dúvidas
Que querem ser caladas.


Beija-me. Cala-me. 

Desenho: Beija-me e cala-me, Carlos Saramago

sábado, 25 de abril de 2015

As palavras que me fazem corar

Foto: Autor não identificado
Palavras que me fazem corar?
Por onde começar?
Pelo A, Amor, que dizer?
B, Beijo, pois que mais rubro há?
E Bonita, és. Que dizer, quem eu?
Calo-me, sorrio, não sei, talvez, sim.
Vá, deixa-me.
Insistes;
Fogo, queima, como não corar?
Toque, toca-me, deixa-me, marca-me
Ardor na pele, refrescando a carne
Explode, fogo de novo
De artifício
De todas as cores
Vermelhos os meus lábios
Em afogueado rosto


Este poema está também no Youtube, aqui.

sábado, 18 de abril de 2015

Enroscada ao mafarrico

Tela: Enroscada ao mafarrico, Carlos Saramago

Sabia que havia de querer fugir
E que havia de querer ficar
Caminhava
Não segura, a esconder ser formosa
A tentar parecer firme
Um pé decidido, outro hesitante
Fingia que não te sabia
Fingia que não me via
Porque não me queria saber
Mas tu sempre à espreita
Esperavas o vacilo
Ofereceste-me um pedaço de fogo
E eu, cansada do inverno
Parei e queimei.
E agora pergunto-me o que vai ser de mim?
Para onde ir a seguir
E quem ser?
Apertas-me mais a ti.
E por ora deixo-me estar
Enroscada a ti,
Mafarrico.

sábado, 11 de abril de 2015

Convexidades

Foto: Vladimir Kush
O que escrevo
Ainda não foi
A não ser na Convexidade
Do Tempo
Engana-me a mão
Nos acertos da alma
Significados pacientes
Aguardam quietos
Que a névoa
A Tempo se desvaneça
Hoje escrevo a Vida
Amanhã
Hei-de reconhecê-la.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Grata, Vida!



Foto: Google
"Velho pássaro, este mundo dorme como um menino e se renova cada manhã."

Thiago de Mello



Para lerem a minha reflexão pela Páscoa, convido-vos a visitar o meu outro cantinho, por aqui:



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