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"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A menina que amava o Natal

Só faltava colocar a estrela no cimo da árvore - entendeu Raquel, em antecipação. Pegou-lhe delicadamente e, com um certo toque de cerimónia, colocou-a no seu sítio. Ali ela brilhava, imponente, todos os Natais.

Fazer a árvore de Natal era um ritual anual que a fazia vibrar desde que se lembrava. A mistura de cores por sobre o verde, o brilho das luzes, a escolha do local onde colocar as bolas de Natal, tudo isso era um pedaço de magia a acontecer. A estrela dava o toque final. Raquel sentia, que, ao colocá-la no cimo da árvore, de alguma forma dava luz ao Mundo, pelo menos um pouquinho. Quando era mais pequenina, não sentia assim esse gesto. Agora, que já tinha passado da idade de acreditar no Pai Natal e que já entendia muito do que via nos noticiários, percebia mais claramente o sentido da frase "Quem dera fosse Natal todos os dias."

Sabia que nem todas as crianças recebiam presentes no Natal ou tinham a mesa cheia de doces e coisas boas no Natal. Talvez nem todas pudessem fazer uma árvore como a dela, com materiais brilhantes, coloridos e perfeitos. Imaginou como seria se o seu Natal fosse assim.

Sentiria falta dos presentes, tinha que o confessar. Mas sentiria mais falta da antecipação, daquela que se tem quando se olha para o embrulho e se tenta adivinha o que está lá dentro. Também sentiria falta dos chocolates embrulhados em papel natalício e dos doces que a mãe faz. mas lembrou-se das tardes em que a família se reúne, ao domingo, com um pão-de-ló e uma caneca de leite quente. Se fosse esse o miminho da noite de Natal, ela também se sentiria feliz. Porque nessas tardes, o que realmente importava não era o bolo, era a sua família, reunida à sua volta.

Até a árvore, de que tanto gostava, poderia ter que a enfeitar com pedaços de papel branco. Sabia que a veria sempre com cor.

Porque o Natal existia onde o Menino queria que ele existisse: no coração dela!

E de cada vez que ela colocava a estrela no cimo da árvore, ele enviava um pouco de Natal, de Amor e de Luz, para todos os corações prontos a recebê-los.

Foto: www.pixabay.com



sábado, 20 de dezembro de 2014

Carta do Pai Natal


Oh, Oh, Oh!
Olá, meninos adultos!!
Lembram-se de mim? Não, não estou a falar da figura no centro comercial, ou nos filmes de Hollywood ou impressa nos papéis de embrulho para o Natal…
Pergunto se se lembram de mim, o pai Natal, aquele a quem escreviam cartas a pedir um presente, o que estacionava o trenó no telhado e descia pela chaminé abaixo. O velhinho das barbas, eu mesmo!
Eu sei que alguns de vocês se lembram de mim. Vocês, que sorriem quando vêm as luzes de Natal a acenderem-se. E vocês, que voltam a ser crianças quando fazem a árvore de Natal e enquanto escolhem os enfeites. E vocês, que ao oferecerem presentes no Natal, sentem aquele calor no coração, igual ao que eu sinto na noite de Natal.
A vocês, eu poderia escrever, mas eu sei que vocês sabem que eu vos visito todos os Natais, e que vos deixo algo para afagar esse espírito que têm no coração. E vocês sabem também que estão dentro do meu coração.
Na realidade, esta carta é para os meninos adultos que já não se lembram de mim e, especialmente, para aqueles que nunca me escreveram.
Talvez alguns de vocês já se achem grandes demais para acreditar no Pai Natal e por isso não queiram perder tempo com todas essas coisas.
Bom, confesso-vos que isso me deixa um bocadinho triste… Porque o vosso lado criança é uma das melhores coisas que existem dentro de vocês. Não se lembram como eram felizes quando podiam ir brincar ou quando acreditavam que criaturas mágicas se escondiam no vosso jardim ou no vosso quarto? Lembram-se do que sentiam no Natal quando ouviam o “Oh, Oh, Oh”? Bem sei que agora há a azáfama toda, a correria para comprar todas as prendas antes do dia 24 – algumas no dia 24 – a preocupação a olhar para o extrato do Multibanco antes de ir comprar a seguinte. E depois, ainda falta comprar a comida para a ceia de Natal e preparar tudo. E, e, e…
E se parássemos só por um bocadinho? Pergunta-te: porquê toda essa preocupação? Não podes comprar o presente caro que querias? A pessoa a quem ias comprar vai ficar triste? Tu ficarás triste? Porquê? Já te perguntaste? Experimenta, pelo menos este ano, uma coisinha: compra o presente que podes comprar, mas compra algo que sabes que a outra pessoa vai gostar. Pode até ser algo simples. Se não puderes comprar, faz-lhe algo. Aposto que vai ser uma prenda ainda mais especial.
E, acima de tudo, não te esqueças do mais importante de tudo: ao ofereceres o presente, acompanha-o de um abraço sincero?  sentido.
Se não puderes comprar ou fazer m ais nada, esse pode até ser o único presente. Pode parecer-te pouco. À outra pessoa pode também parecer pouco a princípio. Mas… e se eu disser que esse presente irá deixar uma marca mais duradoura que qualquer um que possas embrulhar? Parece-te estranho, eu sei. Mas porque não tentas? Mas tenta de coração aberto, de outra forma não me darás oportunidade de mostrar que tenho razão.
Peço-te apenas um pequeno acto de fé. E nem é em mim, é em ti.
Depois me dirás… Ou não digas, se não o quiseres. Guarda o que sentires para ti. Mas depois não te esqueças desse pequeno fogo que te aqueceu o coração. E busca-o no resto do ano. Chama-o tantas vezes quantas as que quiseres e conseguires…!
Talvez no próximo ano já acreditem um pouco mais em mim. Ou talvez não. Mas eu ficarei feliz se já acreditarem um pouco mais em vocês!
Vou aproveitar ainda esta carta para falar também com outros meninos-adultos. Aqueles que não gostam das prendas que recebem e que, por isso, já desitiram de mim.
Entendo que às vezes seja frustrante pedir uma coisa e receber outra. Mas, sabem, eu gosto de dar prendas úteis. Úteis no sentido de ajudarem a conseguir algo – que devem sempre ser vocês a conseguir – ou no sentido de vos ensinarem algo.
Sei que não é assim que se entendem alguns presentes, à primeira vista. Mas agora que leram esta revelação, digam-me lá se, olhando para trás, não receberam presentes que traziam estas benesses atrás?
É esse o meu desafio: da próxima vez que receberem algo de que não gostem tanto, perguntem a vós mesmos o que pode aquele presente ensinar-vos ou trazer de bom, ao fim de um tempo!
E, finalmente, ainda há quem, por vezes, receba o famoso pedaço de carvão. Pois é, parece um presente pequeno, inútil e sem graça. Ainda por cima é associado aos meninos que se portam mal. Mas eu tenho a dizer-vos que não é essa a intenção. Eu não quero castigar-vos. O pedaço de carvão é apenas uma mensagem… Se um pedaço de carvão está apagado e sem vida, também é verdade que ainda não é cinza. E que com um pedaço de calor e um pouco de fogo, voltará finalmente à vida e ele próprio a produzir fogo e calor. E assim são também vocês. Assim somos todos nós, com o potencial de sermos chama viva. É esse o desafio que vos deixo, caso encontrem um pedaço de carvão no sapatinho: que o reavivem com a vossa luz. E não me digam que não a têm, porque têm! Pode até estar diminuída e mal se ver, mas não está extinta. E basta um pequeno sopro para que ela se reavive.
E isto vale para todos vocês, meninos-adultos. Mesmo para os que não receberam carvão. Nunca se esqueçam da vossa luz!
E para que ela se fortaleça, já acendi a luz do Natal e mando-a para todos, para que ilumine o vosso coração e lá viva durante todo o ano!
Feliz Natal!
S. Nicolau




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Desejo a todos um Feliz Natal e uma passagem de ano a adivinha um excelente ano novo!

Da minha parte, volto em 2015! :)


Este texto foi também publicado n'Os dias em que olho o Mundo. para quem segue os dois blogs, pelo desculpa pela repetição, mas quis mesmo dar voz ao velhinho de barbas brancas! ;)





domingo, 22 de dezembro de 2013

Boas Festas!

Topo Gigio by Maria Perego Official FB Place


Hoje é dia 22 de Dezembro. Olho à volta e já vejo o Natal em todo o lado.
“Ainda não chegou a alguns corações…”, diz-me aquela pequena voz.”
“Não faz mal” – digo eu – Hoje está no meu, talvez um dia chegue a todos.”

Boas Festas a todos! Um Feliz Natal e um 2014 cheio de criatividade e de sonhos realizados!

Voltarei em Janeiro!





sábado, 21 de dezembro de 2013

Sonhando Natal

Imagem: google

Adormeci e sonhei. Sonhei que a árvore de Natal estava feita. Linda, cheia de cor, perfeita. Até o cheiro a pinheiro acabado de cortar se sentia na sala.
Lá no cimo, a minha estrela, no meio da cor, o meu anjinho.
Sentei-me em frente a ela, embalada por algum cântico de Natal, que talvez só eu ouvisse.
Atraída por um brilho inesperado, olhei para cima. Era a minha estrela, que brilhava agora mais forte. Era um feixe de luz que se formava, que lentamente veio até mim.
Pelo caminho que se formou, desceu o anjinho da árvore, sorriu e deu-me a mão.
Fui invadida por uma calma estranha, mas verdadeira.
Percebi que realmente era já Natal e fiquei feliz por isso. Em breve, ouviria as renas no telhado, o Pai Natal a descer apressado pela chaminé, e eu ficaria a espreitar como se não soubesse que ele ia chegar. Como se já tivesse deixado de acreditar. E depois voltaria para a cama, à espera da manhã seguinte, de fingir a surpresa ao descobrir um presente para mim. O que seria este ano? Eram sempre presentes que eu podia usar até ao Natal seguinte.
Foi aí que acordei, com esta expectativa a abraçar-me.
Senti um aroma diferente a entrar no quarto. Levantei-me e segui-o. Levava-me à sala. Era o cheiro do pinheiro acabado de cortar.
Lá no cimo, a minha estrela, no meio da cor, o meu anjinho.

Afinal não sonhei, já é mesmo Natal.




terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Feliz Natal / Merry Christmas



“Chá da Felicidade”, dizia no rótulo.
Decidi experimentar. Aqueci a água e adicionei a misteriosa mistura. De imediato os aromas se soltaram e inundaram tudo à minha volta.
Provei. E tive que ver os ingredientes desta infusão. Lá estavam a amizade, o amor, os risos das crianças e o sorriso calmo dos mais velhos, a esperança, a alegria.
Não estará numa chávena de chá, mas espero que a Felicidade e todos os seus ingredientes estejam presentes na vossa vida.
Um Feliz Natal e um 2013 com tudo o que desejam!



“Hapiness Tea”, it was written in the label.
I decided to try it. Warmed up the water and added the mysterious mix. Immediately the aromas got loose, flooding all around me.
I tasted it. And I had to check the ingredients in this infusion. There were friendship, love, children’s laugher and the quiet smile of the elder, hope, joy.
It won’t be in a cup of tea, but I hope Hapiness and all it’s ingredients are always  in your life.
A Happy Christmas and a 2013 were all that you wish may happen!
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