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"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto
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sábado, 24 de outubro de 2015

Lonely star


Lonely star, por Isa Lisboa

Lonely star
So far from your sisters
Yet how bright you are
You bring light
To this night of mine.
Did you come for me?
No, I have not forgotten
There will be another day
In just a few hours
Sooner than it seems now
The sun will rise again.
But for now it is dark
And I had to recognize it
One tries to flee
From the shadows
But they also are.
And so here I am
Letting the night embrace me
But not invade me
My body needed shadows
But my soul is light
I am like you, little one
Lonely star in the sky
Holding on
To the brightness within!

sábado, 26 de setembro de 2015

Rosa Maria

Desenho: Luana Santos, 2013
Maria Rosa chegou.
A noite ficou lá fora.
Acabou.
Ela acabou quando a noite acabou.
Alimenta-se
Da música
Dos neóns brilhantes
Dos aromas da noite - 
Tão diferentes dos do dia -
Dos sons que se misturam
Distintos na sua indistinção
Dos sorrisos, dos risos
Às vezes beijos, abraços
Atrevidos
A pele treme
Na noite
Na noite que ficou lá fora
Tudo se dilui na chuva de gente
Feliz. Feliz porque ri.
Feliz porque dança. Feliz.
Aqui silêncio.
Aqui espaço vazio.
Da noite, só o vestido
Vermelho
Sobrou. A noite acabou.
Rosa Maria foi quem
Sobrou.

sábado, 19 de setembro de 2015

Brumas

Foto: Tomek Zaczeniuk

Quando te procurava
Não podia encontrar-te
Meus olhos turvos ainda
Só viam a camada de pó
A que me impus
E onde me prendi
Nas brumas do esquecimento.
Olhos cansados da escuridão
Esfreguei e abri
Limpei o pó
Maquiagem que já não
Servia
Agora não te procuro
Apenas te espero.

.

Isa Lisboa

sábado, 25 de julho de 2015

Dói-me esta capa

Foto: Vadim Stein

Hoje dói-me esta capa, esta capa que já não sei se é dura como aço ou frágil como seda.
Hoje dói-me, como se esta dor fossem encontrões da alma a tentar arranjar mais espaço, quem sabe a tentar sair.
Se ao menos eu soubesse como me alargar ou sequer como foi que a aprisionei…
Não me aprisionaste, parece-me ouvi-la dizer-me, fui eu que escolhi este invólcuro, se tento sair é apenas porque é a hora.
Hora de quê? Pergunto-lhe.
Hora de me veres.


domingo, 19 de julho de 2015

Dois homens e uma corda

Foto: Segurança_Luísa Alvim

Dois homens encontraram uma corda no meio da estrada.
Um viu-a primeiro, um segundo primeiro. Outro agarrou-a primeiro, um segundo primeiro.
Ambos a sentiram sua, dúvidas não havia.
Agora só a força poderia decidir a contenda, com força a puxaram, um de cada lado, à força ela não cedia. À força do outro, nenhum cedeu. Só ao cansaço, nem um segundo antes, nem um segundo depois.
A extremidade ainda comprimida nas suas mãos.
Ouviram então no meio do cansaço uma voz. Era um menino que os chamava.
“Para que precisam dessa corda?” – perguntou.
Olharam um para o outro, um não sabia dizer, o outro também não.
Ao segundo seguinte, ambos a largaram. “Não a queremos mais”, disse um. “Podes ficar com ela”, disse outro.
Então o menino pegou na corda, por ambas as extremidades e levou-a.
Com um grande sorriso, exibiu-a aos amigos e gritou: “Bora saltar à corda?!?”


sábado, 11 de julho de 2015

O azul

Acordei e logo me lembrei do meu céu, fiquei ansiosa por ir à janela contemplar o belo azul. Ainda estava lá, preparei-me para uma caminhada pelo mar, o meu outro azul.
Ao guiar, a estrada parecia-me estranha, o alcatrão não parecia o mesmo, estava firme como sempre, mas parecia já não ter a mesma cor de antes… Não é que me queixasse, aquele preto de alcatrão não é tão belo como o meu azul, não me fazia falta.
Chego à praia e lá estava o meu azul, e a sensação da areia nos pés era também a mesma, mas algo estava diferente.
Volto à estrada, chego à cidade, as ruas, os prédios no mesmo sítio, acho que até as mesmas pessoas.
Mas lá continuava ainda algo diferente.
Procurei a entrada do edifício que me esperava, continuava azul, aquietei-me.
Ainda assim, aquela sensação não me abandonava, o dia passou e ela lá comigo.
Precisava relaxar um pouco, fui de novo até à praia, era hora do pôr-do-sol.
Cheguei mesmo a tempo.
Sentei-me no meu rochedo favorito e procurei o sol no horizonte.
Mas não distinguia o sol, muito menos o horizonte.
Percebi então o que estava diferente naquele dia. E entendi também quem tanto defende o amarelo. (*)


(*) Ditado popular: “Se todos gostassem do azul, que seria do amarelo?”


Foto: Karl Taylor

Estou a promover um pequeno inquérito sobre o blog. Peço-vos 2 minutos vossos para visitar este link e preenchê-lo. Ajudem-me a melhorar este espaço :)

Obrigada!



sábado, 27 de junho de 2015

Entendimento

Foto: Autor não identificado 
Um dia
Algo se parte
Apenas porque já não pode ser
Ou porque frágil
Já era o metal.
Fica ali um coto partido
Desengraçado
Desengonçado
Dependurado.
Tentamos um enxerto
Mas o corpo rejeita-o
Procuramos aceitar
O que era, se foi, não é
Mas o que ser?
Talvez então
- Pensamos –
Esquecer?
Arrancamos então mais pele
Seca
Tentamos dissolver o passado
Num futuro que queremos
Ou julgamos.
Nada muda
O mesmo ar
O mesmo som
As mesmas mãos que escorregam.
E é no segundo
Em que não mais
Conseguimos respirar
Que vemos
Entendemos
Sabemos:
Nada pode mudar.
Apenas Eu!

sábado, 11 de abril de 2015

Convexidades

Foto: Vladimir Kush
O que escrevo
Ainda não foi
A não ser na Convexidade
Do Tempo
Engana-me a mão
Nos acertos da alma
Significados pacientes
Aguardam quietos
Que a névoa
A Tempo se desvaneça
Hoje escrevo a Vida
Amanhã
Hei-de reconhecê-la.

sábado, 28 de março de 2015

Casca de ovo

Foto da web, autor não identificado

Nascemos do ovo
Picámos a casca
Até sair
Ávidos do Mundo
Ávidos das possibilidades
Inexperientes
Tentámos voar
Caímos e voltámos a voar
Nova queda era certa
Mas ainda procurávamos
As tais possibilidades
O Mundo estava ali.

Como foi que acabámos
De novo
Dentro da casca?


Este poema foi originalmente publicado no:

sábado, 7 de março de 2015

Redenção

Foto: Brooke Shaden Photography
De mãos lavadas
Pelas lágrimas redentoras
Passo os dedos pela pele
Solta-se a poeira
Que deixei instalar-se.
Vislumbro o branco
Sacudo o que falta
Rejuvenesci
Ou o coração bate agora
De acordo com a idade.
Por debaixo
O sangue parece correr
Pressiono
Sinto, pulsa.
A última lágrima cai
Leva o grão de poeira
Que ainda ali restava
O primeiro que se instalou
Com a primeira lágrima
De tristeza.


sábado, 17 de janeiro de 2015

Suspensa

Foto: Suhtukaa, Tesouro sem chave, CarlosSaramago

Suspensa
Paira sobre mim
A memória do que fui;
Os sonhos
Que me consomem o futuro
Ao alcance de uma mão
Que não consigo esticar.

Parada, nesta pose tanto
Estudada
Não consigo mais ficar
Estico uma mão acima
Outra ao lado
Passado ou futuro
Algum me há-de
Puxar.


sábado, 15 de novembro de 2014

Mitológica

Autor não identificado


Sou um unicórnio
Olhos me vêm mitológica
Outros me procuram sem saber
Tantos me negam –
Pelas leis da física
E pelas leis dos homens.
Talvez seja a metafísica
Que me chama ao vento
E o vento que me faça voar
Quando a terra não me basta.
Pode ser que eu não exista
Mas se a minha haste brilha,
Que me importa
Se há quem meça
A distância
Entre o Céu e a Terra?

sábado, 20 de setembro de 2014

sábado, 26 de julho de 2014

Chagas

Arte: Autor não identificado

Ferida aberta
O sangue jorra, quente
O calor adormece
A dor também
Pode tornar-se anestesia;
E enquanto não a olho
Não a sei.
Lembro as cicatrizes
A carne a fechar-se
Como me rasgou a pele
A agulha a suturar
Como pode a cura superar o golpe?
Regeneração ou mera estética,
A chaga desaparece
Ou fica por debaixo da pele?

sábado, 5 de julho de 2014

Fogo de mim

Arte: Pier Toffoletti
É de dentro de mim que me olhas.
Olhos duros,
Que não quero encarar.
Olhos intensos,
Que me queimam a pele.
Sei que me olhas com os meus olhos.
É por isso que me dói tanto.
Ninguém me olharia tão impiedosamente.
Mas sei que só o teu fogo me renovará.
Olha-me
E diz-me tudo o que vês.
Quando for a minha voz que oiço,
então serei eu o fogo – o que arde sem queimar.

sábado, 7 de junho de 2014

In or out

Foto da web

Yesterday madness paid me a visit
We had a cup of tea
And two slices each
Of that nice orange and chocolate cake
We had a good laugh
And all the afternoon
Was filled with noise
The nigh came
And she excused herself
I guess even madness needs to sleep.
And so here I am
Lucid again
Deaf by the absurd silence
Aware of the prison bars
Doubting
Whether they are in
Or out…


sábado, 24 de maio de 2014

Reflexo

Olho o estranho reflexo no espelho e não o reconheço.
Na maioria dos dias é só o outro reflexo, o normal, aquele que não me faz perguntas incómodas, que nem me fala sequer!
Mas este, que aparece de vez em quando sem aviso, tem sempre perguntas, demasiadas perguntas!
E não tenho coragem de lhe responder, não quero saber a resposta, quero apenas que ele desapareça, aquele reflexo!
Não gosto dele, é inconveniente, aparece sem ser convidado, por mais que o ignore, não entende que não é desejado.
Por isso decidi: Amanhã o espelho sai desta casa!

Foto: Laura Williams


sexta-feira, 11 de abril de 2014

Caminhando

Foto: Zé Suassuna Oliveira





Se sentires que a Vida te procura, apressa-te a dizer “presente”!, e descobre onde ela quer levar-te.

Caso contrário, calça as botas de caminhada e vai em busca dela.





# Soltas. Talvez pedras. No charco #

sábado, 29 de março de 2014

Embrulhados

Estão ali embrulhados
Dentro de uma caixa
Fechados sob uma fita
Num laço apertado
Atado por mãos
Que se acharam perfeitas
Um dia;
E noutro
Sucumbiram à realidade
Que lhes foi dada.
Estão ao menos guardados
Não foram por aí
Deixados
Mas fechei-os
Ao fundo de uma gaveta
Para não os ouvir
Eu que tanto gostava
De os escutar
Sentar-me com eles
A conversar
A delirar.
Fechei-os lá, amordaçados.
Não consigo mais,
Ouvi-los.
As mãos tremeram
Ao apertar o laço
Mas não podia mais olhá-los
Assim,
Desfeitos em pó.
Lembrar
De como um dia
Foram promessa…

Foto da web

terça-feira, 26 de novembro de 2013

That small part of me

Tela: ADN, Sérgio Santos
Sérgio Santos Artwork: 

https://www.facebook.com/pages/S%C3%A9rgio-Santos-Artwork/513219785439619?fref=ts


I can be
Whom ever you want
Me to be
Accept
A new mask each day
From your hand
But there’s a part of me
You’ll never kill
It’s only hidden from your
Cruel eyes
You will never change
That small bit of me
The one which defines
Who I really am
That you’ll never be able to change
Even reach
It will never be yours

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