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"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto
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sábado, 23 de fevereiro de 2013

O banco de jardim / Garden bench

Estonia - True love leaves no traces 

Costumavas esperar-me no jardim, sentado num banco vermelho. Um daqueles bancos com nomes gravados, a lembrar que já tinham sido o lugar do Amor, de alguém.

Agora era o nosso banco.

Esperavas-me lá, e eu ia.

E ali ficávamos, eu, tu e o nosso banco. Testemunha.

Um dia começou a haver dias que não me esperavas. E começou a haver dias que eu não ia. E o banco olhava os dias, apenas, intranquilo.

Agora estamos sós, eu, tu, o banco.

O banco do jardim, o banco do Amor que fomos.

***

You used to wait for me in the garden, sitting on a red bench. One of those with engraved names, remembering that place had been of Love, someone’s love.

Now it was our bench.

You waited for me there, and I went to you.

And there we were, me, you and our bench. Witness.

One day it began to be days that you didn’t waited for me. And it began to be days that I wouldn’t go. And the bench looked at the days, restless.

Now we are alone, me, you, the bench.

The garden bench, the place of the Love we were.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Da série Encontros com o Amor / From the series Meetings with Love

Imagem da web

» Reconhecimento / Recognition

Encontrei o Amor na rua. Caminhava casualmente e cruzei-me com ele. Não esperava encontrá-lo, não saí preparada. Tão pouco o reconheci à primeira vista.
Apenas quando me olhou nos olhos, e lhe devolvi o olhar, vi que podia ser, talvez, quem sabe, o Amor.
Fiquei confusa, mas o Amor parecia ter certezas.
Então dei-lhe a mão que me pedia, e lá segui com ele.

***

I found Love walking down the street. He walked casually and I crossed him. I didn’te expected to find him, didn’t came out ready for it. And I didn’t recognize him.
Only when he looked me in the eyes, and looked back, I saw it could be, who knows, Love.
I was confused, but Love seemed to be sure.
So I gave him the hand he asked me, and I followed with him.



» Desejo / Desire

O Amor vestiu a roupa do Desejo, envolveu-me nos seus braços quentes. Era um abraço irresistível, talvez porque não me prendia.
O Desejo usava um perfume que eu não conhecia, ao qual era impossível resistir. Ou pelo menos assim o quero ver, para dar a mim mesma uma desculpa. Uma desculpa para me afogar naquele abraço, uma desculpa para me abandonar ao seu toque, deixá-lo percorrer a minha pele, descobrir a chave para o grito que se afoga na garganta, explodindo violentamente no umbigo.

***

Love dressed himself as Desire, wrapped in hHis warm arms. It was an irresistible embrace, maybe because it didn’t strangle me.

Desire wore a perfume that I did not know to which it was impossible to resist. Or at least so I wanted to see it, to give myself an excuse. An excuse to drown in that embrace, an excuse to abandoned myself to it’s touch, let it go trough my skin, discover the key to the cry drowning in my throat, exploding violently in the navel.



annais_espinas
» Engano / Deceit

O Amor colocou a capa invisível do Engano, não vemos o que não queremos ver. Como se a cegueira fosse um mal escolhido. Ou, talvez, confortável apenas.
Há quem se faça feliz com ele, quem saiba como amar por dois, e se sinta aconchegada debaixo desta capa.
Quanto a mim, depressa fiquei com frio.

***

Love placed the invisible cloak of Deceit, we don’t see what we don’t want to see. As if the blindness was an ill we choose. Or, maybe, just a comfortable one.
Some people are happy to do it, there are those who know how to love by two, and feel snuged beneath that coat.
As for me, I got cold very quickly.




Mi rosa obscura - chenutis
» Presságios / Omens

Quando acordei tinha uma rosa na almofada, assim despertou o Amor. Vermelha, fresca e perfumada.
Como a noite que passara.
As pétalas viriam a ficar com cores menos vívidas, o perfume começaria a dissipar-se, as pétalas começariam a cair.
Também o Amor.
Aos poucos ficaria apenas a memória da rosa, aos poucos, seria apenas mais um vislumbre.
Também o Amor.

***

When I woke up I had a rose on the pillow, and so Love awoke. Red, fresh and fragrant.
As the night that passed.
The petals would get less vivid colours, the perfume would start to fade, the petals would begin to fall.
Also Love.
Gradually only the memory of the rose would stay, would be just one more glimpse.
Also Love.




Rose bud_Gilberto Santa Rosa
» Começo / Begining

Quando conheci o Amor, lembrou-me uma criança – era começo e não precisava de muito para me fazer feliz.
Assim o lembrarei… até que caiam as pétalas.

***

When I met the Love, he reminded me of a child - it was Beginning and he did not need much to make me happy.
This way I remember him ... until my petals fall down.




E assim nestes encontros o Amor me consumiu, e assim o Amor me devolveu o corpo, e assim o Amor me fez de novo inteira. Mulher. Apenas.

***

And so these meetings wit Love consumed me, and so Love gave back my body, and so Love made ​​me whole again. Woman. Only.





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