Foto: i don't
want to be part of your scene_lethargic
Tinha um poema escrito. Num dos velhos blocos de apontamentos.
De há quanto tempo é este? Não o tinha mostrado a ninguém. Não me parecia. Não
era. Não…
A folha já estava caída, amarrotada, estava a deixar de ser
poema.
Notei uma folha em branco. Sobrou-me. Ou talvez a tenha deixado
em branco de propósito. Ou inconscientemente.
Reli. E então vi as palavras que faltavam. Escrevi o poema – que
sempre lá tinha estado – na página em branco que sobrara.
Se o meu poema pode reencontrar-se, porque não o farei eu?
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Mini-Conto publicado originalmente aqui, no blog Pense fora da caixa.
Laura está em frente ao placard de partidas do
aeroporto, tenta decidir para onde irá desta vez.
Acaba de aterrar e, mais uma vez, não encontrou o
que procurava.
Olha para a sua bagagem. A pequena mala está cada
vez mais gasta, pergunta-se quantas viagens mais aguentará.
Em cada nova viagem torna-se mais difícil de
fechar, o que a fará estar tão mais pesada agora? – pergunta-se Laura. Para
mais, parece-lhe cada vez mais pequena.
Talvez seja apenas o cansaço a falar.
Volta ao placard, as pequenas letras luminosas não
lhe indicam o destino. Já tentou a maioria deles.
Desvia por momentos os olhos do néon, talvez
precise mesmo descansar.
Encontra um banco livre e vai sentar-se por um
pouco.
Nota então, lá ao fundo, uma banquinha com
publicidade a destinos de viagem.
Decide ir ver, talvez lá encontre uma ideia de
destino.
Puxa pela sua mala; até as rodas parecem já estar
demasiado gastas, mas prometeu que a levaria sempre consigo, em cada viagem,
até encontrar o que procurava.
Tantos panfletos espalhados, nem sabia por onde
começar!
Foi pegando em alguns, destinos turísticos, cada um
com a sua finalidade, praia, museus…
Folheou-os, leu-os, a maioria eram destinos
conhecidos, os poucos que restavam não lhe pareciam prometedores.
Ia desistir da ideia dos panfletos, quando chegou
alguém, devia ser a responsável pela banquinha.
Pegou num panfleto e estendeu-lho. “É este que
procuras!”
Estranhando, Laura hesitou. “Toma”
Laura pegou-lhe, curiosa, percebendo que,
curiosamente, se sentia agora menos cansada.
Abriu o panfleto.
Lá dentro, apenas um espelho.
Foto: Kawika Singson
***
Este conto foi publicado originalmente aqui, no Blog Pense fora da caixa. Descubra também os meus textos neste espaço.
Tinha um poema escrito. Num dos velhos blocos de apontamentos.
De há quanto tempo é este? Não o tinha mostrado a ninguém. Não me parecia. Não
era. Não…
A folha já estava caída, amarrotada, estava a deixar de ser
poema.
Notei uma folha em branco. Sobrou-me. Ou talvez a tenha deixado
em branco de propósito. Ou inconscientemente.
Reli. E então vi as palavras que faltavam. Escrevi o poema – que
sempre lá tinha estado – na página em branco que sobrara.
Se o meu poema pode reencontrar-se, porque não o farei eu?
Este conto foi publicado originalmente no Blog Pense fora da caixa, onde publico regularmente. Sigam por aqui, para descobrir esse espaço!
Post Scriptum: Este blog estará de férias por uns dias. Os vossos comentários serão aprovados assim que possível! :)
Este poema foi publicado originalmente aqui, no Pense fora da caixa, blog em que publico regularmente. Descubram também as minhas publicações neste espaço, bem como a de outros talentosos artistas!
Ao acordar algo me parecia
diferente no quarto. Não conseguia perceber o quê. Talvez fosse apenas sono,
ainda.
Saí para a manhã e a luz
não era a mesma dos dias antes. Em quê era diferente, não conseguia perceber.
Era meio tom mais clara, ou mais escura, mas meio tom apenas. Fosse como fosse,
parecia iluminar-me mais.
O dia foi correndo, e tudo
era igual, mas diferente. Estava definitivamente diferente.
Foto: hand_hands_reflection_ by Suri
Mas continuava sem
perceber o quê.
Observava tudo e todos, mas
em nada e em ninguém conseguia identificar o que estava diferente do dia
anterior.
Passei em frente a uma
montra, e vi algo que parecia dar-me a resposta, mas era hora de seguir, o dia
avançava, não podia ficar ali a procurar.
Cheguei a casa, já de
noite, o céu estrelado estava diferente, não sabia bem em quê, a porta de casa
parecia diferente, não sabia bem em quê. A chave entrou, a porta abriu, ainda
estava em casa, apesar do dia diferente.
Parei então; ao passar em
frente ao espelho, lá estava a resposta que havia apenas vislumbrado antes. Não
a vi logo, mas quando parei e olhei, vi.
Era o meu espelho que estava
diferente, o que ele me devolvia estava diferente.
Este conto foi escrito e publicado originalmente no Blog Pense fora da caixa, onde colaboro regularmente.