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"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto
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sábado, 28 de março de 2015

Casca de ovo

Foto da web, autor não identificado

Nascemos do ovo
Picámos a casca
Até sair
Ávidos do Mundo
Ávidos das possibilidades
Inexperientes
Tentámos voar
Caímos e voltámos a voar
Nova queda era certa
Mas ainda procurávamos
As tais possibilidades
O Mundo estava ali.

Como foi que acabámos
De novo
Dentro da casca?


Este poema foi originalmente publicado no:

sábado, 29 de novembro de 2014

Poema Renascido

Foto: i don't want to be part of your scene_lethargic


Tinha um poema escrito. Num dos velhos blocos de apontamentos. De há quanto tempo é este? Não o tinha mostrado a ninguém. Não me parecia. Não era. Não…
A folha já estava caída, amarrotada, estava a deixar de ser poema.
Notei uma folha em branco. Sobrou-me. Ou talvez a tenha deixado em branco de propósito. Ou inconscientemente.
Reli. E então vi as palavras que faltavam. Escrevi o poema – que sempre lá tinha estado – na página em branco que sobrara.

 Se o meu poema pode reencontrar-se, porque não o farei eu?


****

Mini-Conto publicado originalmente aqui, no blog Pense fora da caixa.

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domingo, 15 de junho de 2014

Pranto de mãe

Arte: Madre proletaria 1929 David Alfaro Siqueiros

A muitos filhos
Dei à luz
Todos tão diferentes
Mas tão iguais
No amor que me inspiram
Todos acolho
Em meu regaço
Todos quero proteger
Mas meus braços
A força perdem cada dia;

Minha carne também se fere
Sangra como qualquer ser
Meus filhos esqueceram-no
A todos quero ajudar a respirar
Meus pulmões de ar também precisam
Meus filhos esqueceram-no
Meu ventre nova vida quer oferecer
Mas precisa de terra fértil
Meus filhos esqueceram-no;

De meus olhos escorre o sal
Do mar que se perde
Assim é o meu pranto
Pranto que não vêm
Que não ouvem
Pranto de Mãe Terra.


Poema originalmente publicado aqui, no Blog Pense fora da caixa



Vídeo: Vangelis - Beautiful Planet Earth

sábado, 17 de maio de 2014

Terminal de aeroporto


Música: Dead Combo – O assobio

Laura está em frente ao placard de partidas do aeroporto, tenta decidir para onde irá desta vez.
Acaba de aterrar e, mais uma vez, não encontrou o que procurava.
Olha para a sua bagagem. A pequena mala está cada vez mais gasta, pergunta-se quantas viagens mais aguentará.
Em cada nova viagem torna-se mais difícil de fechar, o que a fará estar tão mais pesada agora? – pergunta-se Laura. Para mais, parece-lhe cada vez mais pequena.
Talvez seja apenas o cansaço a falar.
Volta ao placard, as pequenas letras luminosas não lhe indicam o destino. Já tentou a maioria deles.
Desvia por momentos os olhos do néon, talvez precise mesmo descansar.
Encontra um banco livre e vai sentar-se por um pouco.
Nota então, lá ao fundo, uma banquinha com publicidade a destinos de viagem.
Decide ir ver, talvez lá encontre uma ideia de destino.
Puxa pela sua mala; até as rodas parecem já estar demasiado gastas, mas prometeu que a levaria sempre consigo, em cada viagem, até encontrar o que procurava.
Tantos panfletos espalhados, nem sabia por onde começar!
Foi pegando em alguns, destinos turísticos, cada um com a sua finalidade, praia, museus…
Folheou-os, leu-os, a maioria eram destinos conhecidos, os poucos que restavam não lhe pareciam prometedores.
Ia desistir da ideia dos panfletos, quando chegou alguém, devia ser a responsável pela banquinha.
Pegou num panfleto e estendeu-lho. “É este que procuras!”
Estranhando, Laura hesitou. “Toma”
Laura pegou-lhe, curiosa, percebendo que, curiosamente, se sentia agora menos cansada.
Abriu o panfleto.

 Lá dentro, apenas um espelho.

Foto: Kawika Singson



***


Este conto foi publicado originalmente aqui, no Blog Pense fora da caixa. Descubra também os meus textos neste espaço.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Poema Renascido

Tinha um poema escrito. Num dos velhos blocos de apontamentos. De há quanto tempo é este? Não o tinha mostrado a ninguém. Não me parecia. Não era. Não…
A folha já estava caída, amarrotada, estava a deixar de ser poema.
Notei uma folha em branco. Sobrou-me. Ou talvez a tenha deixado em branco de propósito. Ou inconscientemente.
Reli. E então vi as palavras que faltavam. Escrevi o poema – que sempre lá tinha estado – na página em branco que sobrara.


Se o meu poema pode reencontrar-se, porque não o farei eu?




Este conto foi publicado originalmente no Blog Pense fora da caixa, onde publico regularmente. Sigam por aqui, para descobrir esse espaço!

Post Scriptum: Este blog estará de férias por uns dias. Os vossos comentários serão aprovados assim que possível! :)


quarta-feira, 5 de março de 2014

Vento em mim

Foto: Hat Yao Palm_Shawn Allen

Uiva o vento
Na janela do meu ser.
Calmia preciso.


Este haicai foi publicado originalmente aqui, no Blog Pense fora da caixa

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Mundo


City-Vortex_Gabriel-Rocha




Para lá de mim,
O Mundo que os rege;
Não consigo ir.






Este haiku foi publicado originalmente no Blog Pense fora da Caixa, aqui.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Travesso Cupido



Era um dia normal.
Igual.
Foi esse o dia, acho.
Não posso ter a certeza.
Mas deve ter sido.
Senti uma pequena picada.
Bem no coração.
Não liguei.

Quando dei por mim,
Já força nenhuma a arrancaria,
Àquela seta
Do meu coração.
Transformara-se em lança;
Se a tirar agora…
Perecerei …!

.
Este poema foi publicado originalmente aqui, no Pense fora da caixa, blog em que publico regularmente. Descubram também as minhas publicações neste espaço, bem como a de outros talentosos artistas!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Ar

Amarras, algemas, grades.
             Prendem-me a ti.
Nós, cadeados, ferros.
                      Feitos de ar.
Prisão , ilusão?
               Nem uma delas.
Entrega, apenas.

          Livre, sempre, mais.




Este poema foi publicado originalmente aqui, no Blog Pense fora da caixa, onde colaboro regularmente. Visitem!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Mudanças

Ao acordar algo me parecia diferente no quarto. Não conseguia perceber o quê. Talvez fosse apenas sono, ainda.
Saí para a manhã e a luz não era a mesma dos dias antes. Em quê era diferente, não conseguia perceber. Era meio tom mais clara, ou mais escura, mas meio tom apenas. Fosse como fosse, parecia iluminar-me mais.
O dia foi correndo, e tudo era igual, mas diferente. Estava definitivamente diferente.
Foto: hand_hands_reflection_ by Suri
Mas continuava sem perceber o quê.

Observava tudo e todos, mas em nada e em ninguém conseguia identificar o que estava diferente do dia anterior.
Passei em frente a uma montra, e vi algo que parecia dar-me a resposta, mas era hora de seguir, o dia avançava, não podia ficar ali a procurar.
Cheguei a casa, já de noite, o céu estrelado estava diferente, não sabia bem em quê, a porta de casa parecia diferente, não sabia bem em quê. A chave entrou, a porta abriu, ainda estava em casa, apesar do dia diferente.

Parei então; ao passar em frente ao espelho, lá estava a resposta que havia apenas vislumbrado antes. Não a vi logo, mas quando parei e olhei, vi.
Era o meu espelho que estava diferente, o que ele me devolvia estava diferente.


Este conto foi escrito e publicado originalmente no Blog Pense fora da caixa, onde colaboro regularmente.
Convido-vos a ler as minhas outras publicações lá, bem como as dos restantes autores.

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