Quem lê / Who's reading

"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Your deep wide eyes



I look in your deep wide eyes and I see salt from all the tears you've shed...
I look in your deep wide eyes and I see promisses of a future unfullfiled, I wonder why...
I look in your deep wide eyes and I see innocence, lost in the way...
I look in your deep wide eyes and I see kindness...
I look in your deep wide eyes and I see the wisdom only life can teach you...
I look in your deep wide eyes and I see you want to forget...
It feels like I've seen you before, seating in that same chair. Maybe you will be there tomorrow and the day after, traveling back and forward, trying to understand the journey... Or maybe that doesn't really matter any more...
I look in your deep wide eyes and hope seems hard to find... I wonder if it is still there buried underneath a layer of salt...
My hope... my wish... is that you can still find it again!





Melting Diamonds

It's the middlle of August, and I'm on the highway, trapped in a traffic jam. The cars ahead under the hot sun, start to look like melting diamonds.
The traffic jam moves slowly forward, and my mind could start melting too... Stay there, forgotten in the hot sommer... But I know it is only temporary, the car jam will start to flow faster and I will be able to make it home.

sábado, 30 de julho de 2011

Moving on...

I found a toothbrush on the back of the bathroom closet. But it was still packed.

I began searching. On the bedroom. Underneath my sweaters, between two blankets waiting for winter.

On the the living room, maybe a forgotten CD, between the others.

Heading to the kitchen, I realised I was getting a bit obcessed.

I looked at that packed toothbrush, that I was keeping closed on my hand.

I hesitated for a bit... I went out and I droped it. On the first can I saw.

Retirado do baú, escrito em 11.11.2005

quinta-feira, 21 de julho de 2011

o trilho traçado

Somos formigas. Formigas felizes. Enquanto somos felizes o trilho mantém-se traçado, a ordem do formigueiro está assegurada.

E se um dia descobrirmos que ser feliz não chega, ou não existe...? Sair do trilho? Continuará traçado, apesar do percalço momentâneo...? E para onde ir, saberemos descobrir quem somos?

Há lugares que não cabem em lugar nenhum. São a casa dos sem-terra. Dos párias. De quem perdeu a bússola. De quem foi apanhado pelos vórtices do tempo. Das memórias perdidas.

Retirado do baú, escrito em 01 de Novembro de 2008

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Vestígios

Começo lentamente a apagar os vestígios.

Já não num acesso momentâneo de raiva, de querer esquecer à força. Daqueles que nos fazem deitar fora a memória, e a seguir correr a colar tudo, para perceber que ficou apenas um puzzle de encaixes imperfeitos, e que, agora sim, ficou tudo quebrado e irrecuperável.

Ontem quis voltar a ser criança para ainda acreditar na Fada Boa e na Fada Má. E quis já conhecer a velhice para já ter percebido que não existem pessoas boas nem más, que todos somos o que absorvemos do Mundo, o que ganhamos e o que perdemos, e o que fazemos com o que ficou.

Quis ser ilha e depois continente e algumas vezes quis ser rio. E quis perder a direcção da foz. E outras vezes só queria ser mar.

Depois caí, extenuada, e deixei o meu corpo esquecer.

Retirado do baú, escrito em 05-Julho-2006

sábado, 4 de junho de 2011

Um milhão ou um bilião de anos...

O Tempo dissolveu-se, como que corroído por um ácido renovador. A rocha transformou-se em areia. Já não é imponente, via-se ao longe...Os pequenos grãos descansam na praia, abraçados pelas ondas do mar. Sabendo que o vento que desgastou aquela enorme rocha os levará de novo para terra, para erguê-la de novo, demore um milhão ou um bilião de anos....

Retirado do baú, de 01.Dezembro.2008

domingo, 1 de maio de 2011

No meio da ponte

Páro no meio da ponte, debruço-me sobre as grades e fico ali, presa na vertigem, no impulso de cair na água gelada. Tão gelada que fará parar o sangue nas veias, ou pô-lo a circular.

E continuo lá, como se o dia me tivesse fundido com o alcatrão. Já não sinto nada. Só o vento, frio, que traz o cheiro das ondas. Que entra pelas narinas, pelos ouvidos, pela boca, até me ensurdecer, até eu ficar cega e muda, e só já sentir o sol a queimar-me a pele, e a brisa, como um bálsamo, a invadir-me os poros, lentamente, e a explodir repentinamente, silenciosamente.

Silêncio, como no início do Mundo, quando os estilhaços se libertaram. Volto à estrada e continuo.


Retirado do baú, escrito em 10.07.06
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