Quem lê / Who's reading

"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto
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sábado, 26 de setembro de 2015

Rosa Maria

Desenho: Luana Santos, 2013
Maria Rosa chegou.
A noite ficou lá fora.
Acabou.
Ela acabou quando a noite acabou.
Alimenta-se
Da música
Dos neóns brilhantes
Dos aromas da noite - 
Tão diferentes dos do dia -
Dos sons que se misturam
Distintos na sua indistinção
Dos sorrisos, dos risos
Às vezes beijos, abraços
Atrevidos
A pele treme
Na noite
Na noite que ficou lá fora
Tudo se dilui na chuva de gente
Feliz. Feliz porque ri.
Feliz porque dança. Feliz.
Aqui silêncio.
Aqui espaço vazio.
Da noite, só o vestido
Vermelho
Sobrou. A noite acabou.
Rosa Maria foi quem
Sobrou.

sábado, 4 de julho de 2015

Ghosts

Arte: ĹÁŤĔŃČŶ ÁŤ ĞÁMĔ, por Carlos Saramago

Let go of the past
Old ghosts will never
Fill your soul.
Don’t believe them
When they whisper promises;
They will feed on what’s left
And when all is hallow
They will take you
For their home
You won’t even notice
Your heart going cold
Then one day
It will stop
And you will become a ghost
Too…

sábado, 27 de junho de 2015

Entendimento

Foto: Autor não identificado 
Um dia
Algo se parte
Apenas porque já não pode ser
Ou porque frágil
Já era o metal.
Fica ali um coto partido
Desengraçado
Desengonçado
Dependurado.
Tentamos um enxerto
Mas o corpo rejeita-o
Procuramos aceitar
O que era, se foi, não é
Mas o que ser?
Talvez então
- Pensamos –
Esquecer?
Arrancamos então mais pele
Seca
Tentamos dissolver o passado
Num futuro que queremos
Ou julgamos.
Nada muda
O mesmo ar
O mesmo som
As mesmas mãos que escorregam.
E é no segundo
Em que não mais
Conseguimos respirar
Que vemos
Entendemos
Sabemos:
Nada pode mudar.
Apenas Eu!

sábado, 13 de junho de 2015

A cicatriz marca o lugar

Foto: Vadim Stein

Do Amor
Só guardo cicatrizes
De cortes até à veia,
Algumas poucas.
Superficiais, outras.
Nem cheguei a sentir, não muito. Só uma picada,
Como se fossem anestesia
Para o que viria depois.
Cortes feitos sem pressa,
Estes que olho agora.
Quase com arte, diria.
Sei que foi Amor,
Porque senti a faca
A entranhar-se na pele,
E eu deixei.
Sei que foi Amor
Porque a minha carne
Logo se fechou;
Como se a lâmina
Tivesse também ela bálsamo.
E tinha.
Não era veneno,
Porque eu ainda estou viva,
E a ferida fechou.
A cicatriz marca o lugar.
Crava de novo o meu corpo,
Amor,
Ainda que me firas de novo,
A minha pele sara,
Com teu balsâmico veneno…



Poema originalmente publicado no Blog Tubo de Ensaio - Laboratório das Artes. Podem conhecer este espaço aqui.

sábado, 30 de maio de 2015

Intermitências

Foto: www.pixabay.com


Sou eu
Mas já não sou
Quanto mudou
Nas intermitências
De esquecer
E de deixar ir…
Leve,
Sei que ainda há
A libertar.
Decidida
Tranquila.
De mim
Não mais abdicarei.
O que a mais habita
Não ficará.
Passo a passo, a seu tempo
Se irá
Quando olhar para trás
Será mais um degrau
Da história de quem fui
Da escada que subi
Para chegar a quem sou.

sábado, 5 de julho de 2014

Fogo de mim

Arte: Pier Toffoletti
É de dentro de mim que me olhas.
Olhos duros,
Que não quero encarar.
Olhos intensos,
Que me queimam a pele.
Sei que me olhas com os meus olhos.
É por isso que me dói tanto.
Ninguém me olharia tão impiedosamente.
Mas sei que só o teu fogo me renovará.
Olha-me
E diz-me tudo o que vês.
Quando for a minha voz que oiço,
então serei eu o fogo – o que arde sem queimar.

sábado, 29 de março de 2014

Embrulhados

Estão ali embrulhados
Dentro de uma caixa
Fechados sob uma fita
Num laço apertado
Atado por mãos
Que se acharam perfeitas
Um dia;
E noutro
Sucumbiram à realidade
Que lhes foi dada.
Estão ao menos guardados
Não foram por aí
Deixados
Mas fechei-os
Ao fundo de uma gaveta
Para não os ouvir
Eu que tanto gostava
De os escutar
Sentar-me com eles
A conversar
A delirar.
Fechei-os lá, amordaçados.
Não consigo mais,
Ouvi-los.
As mãos tremeram
Ao apertar o laço
Mas não podia mais olhá-los
Assim,
Desfeitos em pó.
Lembrar
De como um dia
Foram promessa…

Foto da web

sábado, 8 de março de 2014

Broken

Foto: ALAIN LABOILEl

Like a broken mirror
Seven times
Bad luck
Don’t step on me
Barefooted
You will bleed
Too.

I’m a special
Brand
Of glass

Like a wild cat
Nine lifes
To meet the floor
Get up on my claws.

Nine beats seven
I claim two
For my own!

.

Post Scriptum:
No próximo dia 13, celebra-se aniversário por aqui. Passem por cá! 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Havia / There was

Buika - No habrá nadie en el mundo 

Há uma janela.
A ela atiravas pedrinhas.
Que agora se misturam com a terra.
Voltarão a ser pó, talvez.
Há uma janela.
De dobradiças enferrujadas já.
Uma janela que se abre para o passado.
Mas que não sabe onde é o futuro.

Há uma estrada.
Que me levava a ti.
A estrada continua lá.
Mas tu já não me esperas no final do caminho.
Não sei quando foi a última vez que te vi lá.
Podem ter sido anos ou apenas dias.
Perdi o tempo.
O teu espaço ainda está lá.
Mas está vazio agora.
E não poderá voltar a ser ocupado.

Havias tu.
Há agora, eu, outro eu.

**

There’s a window.
I would throw pebbles to it
Now  they’re mixed with the earth.
They will became dust again, maybe.
There is a window.
Of rusty hinges now.
A window that opens onto the past.
But which doesn’t not know where the future is.

There’s a road.
That led me to you.
The road is still there.
But now you don’t expect me at the end of the road.
I don’t know when was it the last time I saw you there.
May there have been years or just days.
I’ve lost time.
Your space is still there.
But it's empty now.
And you can not be occupied again.

There was you.
There’s me now, me, another me.

terça-feira, 18 de junho de 2013

A tentar escrever Amor / Trying to write Love

Estou a tentar escrever Amor
As palavras não ficam
No papel.
Como se a caneta não tivesse tinta
O papel não as aceitasse.
Mas o problema está antes
Nas palavras.

Já não consigo escrever como é
Quando me abraçavas,
O calor que me aquece quando me beijavas,
Como os meus olhos se fecham
Quando me puxavas para ti.

As palavras saem dispersas,
tango in black by zabara_tango 2
Parecem já não querer fazer sentido,
Fica um poema de palavras soltas,
Separadas.

E tento escrever ainda o fim de um poema,
Entendo então
Não há fim a procurar,
O fim já aconteceu.

***

I’m trying to write Love,
But words don’t stay
In the paper.
As if the pen was out of ink
The paper couldn’t accept them.
But, in reality, the problem is
In the words.

I can’t write anymore how it is
When you hold me,
The heath that warms me when you would kiss me,
How my eyes close
When you pulled me to you.

Words come out scattered,
They seem to have no meaning anymore,
Now it’s a poem of broken words,
Apart from each other.

And I try to write the end of a poem,
And then I understand,
There is no end to look for,
The end has happened already.

Isa Lisboa


terça-feira, 28 de maio de 2013

De saída / Just leaving

Let me live - Queen

Estava de saída
Amor
Estava agora mesmo
de saída.

Sei que é surpresa
Para ti
Mas estava mesmo
De saída.

Não acreditas, vejo
Na tua cara
Céptica;
Mas estava de saída.

Estava de saída.
Esperei tanto
Aqui
Por ti
Que já não é minha
Esta casa.

Fiz as malas.
Deixo cá o que senti.
Levo o coração.
Ainda está pronto
A encher-se de novo.

Estou de saída.

Das conversas com o Amor

~*~*~

Was just leaving
My Love
Riggh now
leaving.

I know this is a surprise
For you
But I was just
leaving.

You don't’ believe it, I see it
In your face
Skeptical;
But I was just leaving.

Was leaving.
Waited for so long
Here
For you
Now this is no longer
My house.

I’ve packed.
Here I leave what I felt.
Taking my heart with me.
It’s still ready
To be filled again.

I’m leaving.

From conversations with love

Isa Lisboa, 21.03.2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Incandescida / Aglow

Matchsticks_André Banyai
Acendi um incêndio.
E foi sem querer
Apenas risquei
Um fósforo,
Seduzida
Pelo brilho da chama;
Inconsciente
Ao material comburente
Em que me tornei.
Ardi
A noite toda
E ainda
Uma parte do dia.
O ferro
Não queria arder,
Mas no fim
Também ele cedeu.
Sobram cinzas,
Vem:
E sopra-me para longe.

*-*

I lit a fire.
And it was unintentionally
Just chalked
A match
Seduced
By the brightness of the flame;
Unconscious
Of the burnable material
I became.
I’ve burned
All night
And also
A part of the day
The iron
Did not want to burn
But in the end
Also it surrended.
Ashes are what’s left,
Come:
And blow me away.

sábado, 6 de abril de 2013

(Des)Esperança / (Un)Hope

Azam Ali – I’m a strange in this world


O tempo para ser ela mesma era sempre tão pouco! Passava sempre tão depressa aquele pedaço que tinha.
Todo o resto do tempo era para os carnavais de que já não conseguia fugir.
Durante muito tempo tentou, remou contra a maré, teimosa, solitária.
Um dia sentiu uma dor vinda de dentro, não era no coração, era em todo o lado, é assim quando nos dói a alma! Uma dor tão forte que a derrubou, caiu de joelhos, caiu o corpo todo de seguida.
Sentiu as lágrimas a caírem, eram lágrimas de cristal, pareciam, afinal eram apenas de vidro, ao caírem no chão transformavam-se em pedaços finos de matéria.
Apanhou-os em concha nas mãos, viu o seu brilho, viu neles reflectida a inevitabilidade.
Com eles fez as suas máscaras, nunca podemos usar só uma, muitos são os carnavais.
Usa-as sem orgulho, mas com resignação. Um dia todos aceitam que não escolhem o seu destino.
Mas reserva sempre um momento para as tirar, é curto o tempo, mas é dela, ainda é ela, naquele pedaço de tempo.
À noite, quando vai dormir, deixa as máscaras longe do quarto, no bengaleiro da entrada, é outro momento em que é livre.
Já percebeu que quem adormeceu com elas… nunca mais conseguiu tirá-las.
São de vidro… tem uma ténue esperança, ainda, de que um dia se partam, pó de vidro novamente…

***

The time to be herself was always so little! It always went by so quickly that piece she had.
The rest of the time was for the carnivals that she could no longer escape.
For a long time she tried, paddled against the tide, stubborn, lonely.
One day she felt a pain coming from inside, it was not in the heart, it was everywhere, so it is when the soul hurts! A pain so strong it knocked her, she dropped to her knees, her whole body dropped then.
She felt the tears fall, they were crystal tears, it seemed, but after all they were only glass, when they fell to the ground, they turned into fine pieces of matter.
She caught them in cupped hands; saw how they shined and how they reflected the inevitability.
With it she made ​​her masks, we can never wear just one, there are so many carnivals.
She wears them without pride, but with resignation. One day everyone accepts they can not choose one’s fate.
But she always reserve a time to take them out, time is short, but it her’s, she is still hersel, at that piece of time.
At night when she goes to sleep, she lets the masks away from the bedroom, at the cloakroom at the entrance, is another moment when she is free.
She has realized that those who slept with them ... never managed to get them out.
They are made of glass... she has a faint hope, still, that one day they breack, powdered glass again ...

sábado, 23 de março de 2013

Not invited!

Foto da web

Não conhecia aquela rua, os prédios eram apenas betão e metal, a pouca luz que transparecia não chegava para me ajudar a ver o que havia em frente.
Tão pouco sabia como tinha ido ali parar.
A calçada parecia-me gasta, escura, ou então era a escuridão da rua a enganar-me.
Pareceu-me que havia olhos na janela, procurei-os, apenas recebi relâmpagos frios e indiferentes; de uma das janelas até uma ponta de desdém pareceu descer.
Apoiada nas paredes que pareciam querer escapar-se-me entre os dedos, cheguei ao fundo da rua e encontrei a curva que procurava.
A poucos passos, estava o edifício iluminado, de onde ouvia já sons abafados, de música.
Dirigi-me à porta, alguém que eu não conhecia veio abrir.
Dei-lhe o nome que me pediu, estranhei enquanto o procurava.
“Não foi convidada!”
E sem mais, fechou a porta!
Deixei de ouvir qualquer som de música, e também esta rua ficou escura e desconhecida.

+-+-+-+-+

I didn’t know that street, the buildings were just concrete and metal, the little light that shone was not enough to help me see what was ahead.
As little as I knew how I had gotten there.
The sidewalk seemed used, dark, or else the darkness in the street was cheating me.
It seemed there were eyes in the window, I looked for them, just got cold and indifferent lightnings, from a window a bit of disdain seemed to descend.
Backed on the walls that seemed to want to escape between my fingers, I came down the street and found the curve I sought.
A few steps away, the building was lit, where from I already heard muffled sounds of music.
I went to the door, someone I didn’t know came to open it.
I gave him the name he asked me, thought it was strange, while he looked for it.
"You’re not invited!"
And without anything else, he shut the door!
I no longer hear any sound of music, and also this street was now dark and unknown.

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