Quem lê / Who's reading

"a escrita é a minha primeira morada de silêncio" |Al Berto
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sábado, 17 de setembro de 2011

Talvez, como na vida...

Um casal sentado à minha frente tirava fotos...à sua frente o banco vazio ao meu lado, com a janela por detrás. "Estranho...", pensei eu... "Apenas se sucedem as imagens escuras e iguais da parede do túnel do metro", supûs...
Mas talvez, como na vida, o mais improvável cenário resulte numa montagem fotográfica. Talvez o suceder de imagens iguais não resulte num filme repetitivo, porque no fundo as imagens talvez não sejam simétricas... Talvez cada imperfeição na parede seja única e perfeita, com uma história para contar...
Ou apenas se veja através de uma lente aquilo que está lá, mas não se vê, como na vida. Não se vê porque o passar dos dias transforma pormenores em rotina, as portas abrem-se, entramos, paramos, olhamos para nada, absortos noutros pensamentos, ou absortos em coisa nenhuma, chegamos ao destino e continuamos. E as paredes do túnel ficam para trás, até à volta para casa, mas ignoradas, por tantas caras.
E talvez se as olhássemos através de uma lente, não descobriríamos pensamentos outros...?

Take 1

 
Abri a pasta das memórias, que se espalham entre o azul e o verde, entre as linhas que me deixaram. Ao lê-las parece que o tempo pára, lembro-me de uma pequena frase, uma simples palavra faz-me lembrar uma situação vivida, uma expressão particular, uma data especial, algo que nos fez rir.
Ao lê-las sinto vontade de voltar atrás. É um lugar comum, como quando dizemos que queríamos voltar à infância. E por vezes queria voltar à infância, à adolescência, à faculdade, como desejarei talvez daqui a uns anos voltar a estar aqui. Onde estou agora. Queria voltar, mas não para ficar. Apenas para uma visita rápida.

Sentada numa cadeira a ver a sequência de imagens. Não mudaria nenhuma dessas cenas, nem as piores. Porque o argumento da vida não pode ser apagado, há medida que o escrevemos as falas sucedem-se, os actores avançam, só há um take. Como no teatro, Não, também não. Não há ensaio antes do directo. Antes de termos tempo de memorizar, já estamos no palco, e no final de cada acto, alguns espectadores já saíram a meio, enquanto outros aplaudem de pé.

Retirado do baú, escrito em 2004

---- Este texto é um excerto de um pequeno desafio que me lançaram e que foi ficando começado, mas sem perder o sentido. Deixo-o aqui, com um obrigado a todos aqueles que me incentivaram a continuar a escrever e também a começar este blog ------

quinta-feira, 21 de julho de 2011

o trilho traçado

Somos formigas. Formigas felizes. Enquanto somos felizes o trilho mantém-se traçado, a ordem do formigueiro está assegurada.

E se um dia descobrirmos que ser feliz não chega, ou não existe...? Sair do trilho? Continuará traçado, apesar do percalço momentâneo...? E para onde ir, saberemos descobrir quem somos?

Há lugares que não cabem em lugar nenhum. São a casa dos sem-terra. Dos párias. De quem perdeu a bússola. De quem foi apanhado pelos vórtices do tempo. Das memórias perdidas.

Retirado do baú, escrito em 01 de Novembro de 2008

domingo, 10 de abril de 2011

As engrenagens do Tempo / Gears of Time

Do dia de ontem restam fragmentos de memórias, vestígios de momentos. Alegres. Tristes. Fugazes. Longos. Intermináveis. Dolorosos. Recompensadores. Inesperados. Rotineiros. Simples. De luta. Batalhas. Vencidas. Perdidas. Lágrimas. Desalento. Sorrisos. Risos. Esperança. Sonhos. Nunca nada. Nunca tudo.

Hoje escrevo estas palavras. E amanhã já serão de ontem. Serão também elas vestígios de ontem. Os momentos de hoje farão parte das memórias de ontem.

O amanhã está á minha espera. Sabe que chegarei. Rápido. Quase em dar por isso.

Sou um rosto entre a multidão. Por vezes perdido no meio de tantas expressões. Expressões confiantes, conformadas, desiludidas, cansadas, quebradas. Alguns rostos fixam o olhar em frente. Outros evitam olhar. Presos no passado ou no presente. E eu?

Sou um rosto seguindo as engrenagens do Tempo. O seu ritmo.

Retirado do baú, 2002


Foto: Venezia, by Isa Lisboa
From yesterday, all that thers's left are fragments of memories, traces of moments. Happy. Sad. Fugacious. Long. Endless. Painfull. Rewarding. Unexpected. Routine. Simple. Of figth. Batles. Won. Lost. Tears. Dismay. Smiles. Laughter. Hope. Dreams. Never nothing. Never everything.

Today I'm wrinting these words. And tomorrow they will be yesterday's. They will also be traces of yesterday. Today's moments will be a part of yesterday's memories.

Tomorrow waits for me. Knows I will arrive. Fast. Almost unnoticed.

I'm a face in the middle of the crowd. Sometimes lost between so many expressions. Confident expressions, conformeddesapointedtiredbroken. Some faces look firmly forward. Others avoid looking. Trapped in the past or in the present. What about me?

I'm a face following the gears of Time. It's rythm.

Written in 2002

sábado, 2 de abril de 2011

Sem sequer pensar......

Metade da minha vida estava dentro de uma gaveta. Vi quando ia guardar lá mais um pedaço e a gaveta já não fechou.Fui amontoando pequenos vestígios, um a um, sem tempo para os arrumar no local devido.

Obrigou-me a parar. A gaveta ficou vazia e tudo nos seus lugares.

Mas sei que a gaveta não vai ficar sempre vazia. Mesmo sem me aperceber, vou abri-la muito rapidamente, sem sequer pensar, e vou esconder lá dentro tudo o que não tenho tempo de guardar.

Até não conseguir fechá-la novamente.

Retirado do baú, escrito em 2008

domingo, 13 de março de 2011

Túnel

Estou no meu carro, a conduzir na auto-estrada. Túnel. Não sei porquê, mas chama-me a atenção o tecto do túnel, noto a simetria crua e simples das imagens que se sucedem. Fim do túnel.

De novo uma estrada à minha frente. Sinto-me invadida por um torpor, que não sei se é sono ou a paz comigo mesma que de repente sinto. Sinto vontade de seguir em frente, mas mudo de direcção maquinalmente, dirijo-me para casa.

Aqui está escuro, preciso de mais luz. Melhor. No rádio continuam a passar as músicas que me transportam para trás, às recordações que tenho e às que não tenho. E dou por mim a não sentir falta das recordações que não tenho, porque agora tenho outras.

Chego a casa, livro-me de tudo e deito-me, sem certezas, mas com respostas, certas ou não, talvez amanhã saiba melhor. Se não for amanhã, não é importante, saberei. Vou apagar a luz e recordar a viagem.


Retirado do baú, escrito em Maio de 2010
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