![]() |
| Foto: www.pixabay.com
Mera humana
Olho para o Alto
Sou Universo
|
As palavras surgem como um flash na minha mente. Impressas como se um instantâneo, nascem a preto e branco… Mas quando as releio, ganham cor…!
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sábado, 2 de janeiro de 2016
sábado, 24 de outubro de 2015
Lonely star
Lonely star, por Isa Lisboa
Lonely star
So far from your sisters
Yet how bright you are
You bring light
To this night of mine.
Did you come for me?
No, I have not forgotten
There will be another day
In just a few hours
Sooner than it seems now
The sun will rise again.
But for now it is dark
And I had to recognize it
One tries to flee
From the shadows
But they also are.
And so here I am
Letting the night embrace me
But not invade me
My body needed shadows
But my soul is light
I am like you, little one
Lonely star in the sky
Holding on
To the brightness within!
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Isa Lisboa
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10/24/2015 07:47:00 da tarde
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sábado, 28 de março de 2015
Casca de ovo
![]() |
| Foto da web, autor não identificado |
Nascemos do ovo
Picámos a casca
Até sair
Ávidos do Mundo
Ávidos das possibilidades
Inexperientes
Tentámos voar
Caímos e voltámos a voar
Nova queda era certa
Mas ainda procurávamos
As tais possibilidades
O Mundo estava ali.
Como foi que acabámos
De novo
Dentro da casca?
Este poema foi originalmente publicado no:
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Isa Lisboa
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3/28/2015 09:00:00 da manhã
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sábado, 17 de janeiro de 2015
Suspensa
![]() |
| Foto: Suhtukaa, Tesouro sem chave, CarlosSaramago
Suspensa
Paira
sobre mim
A
memória do que fui;
Os
sonhos
Que
me consomem o futuro
Ao
alcance de uma mão
Que
não consigo esticar.
Parada,
nesta pose tanto
Estudada
Não
consigo mais ficar
Estico
uma mão acima
Outra
ao lado
Passado
ou futuro
Algum
me há-de
Puxar.
|
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1/17/2015 08:05:00 da tarde
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sábado, 15 de novembro de 2014
Mitológica
![]() |
| Autor não identificado |
Sou um unicórnio
Olhos me vêm mitológica
Outros me procuram sem saber
Tantos me negam –
Pelas leis da física
E pelas leis dos homens.
Talvez seja a metafísica
Que me chama ao vento
E o vento que me faça voar
Quando a terra não me basta.
Pode ser que eu não exista
Mas se a minha haste brilha,
Que me importa
Se há quem meça
A distância
Entre o Céu e a Terra?
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Isa Lisboa
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11/15/2014 11:39:00 da manhã
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sábado, 10 de maio de 2014
Silêncio
Tango with lions – in a bar
O dia está tão silencioso que posso ouvir os ponteiros do relógio a moverem-se, compassadamente. Mas tão, tão lentamente. Tão lentamente, que entre cada minuto, posso rever a minha vida toda na minha cabeça. Num minuto de trás para a frente, no minuto seguinte, da frente para trás. Significará isso que o tempo ora passa devagar, ou que a vida foi curta, no que importa contar?
Nos dias em que o significado das coisas me abraça, são essas as perguntas que me faço. E com a falta de respostas, o relógio anda mais devagar, e esse abraço aperta-me ainda mais, quase não me deixa respirar.
E não nascem respostas, só mais perguntas…
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Isa Lisboa
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5/10/2014 09:30:00 da manhã
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terça-feira, 8 de abril de 2014
sábado, 29 de março de 2014
Embrulhados
Estão ali embrulhados
Dentro de uma caixa
Fechados sob uma fita
Num laço apertado
Atado por mãos
Que se acharam perfeitas
Um dia;
E noutro
Sucumbiram à realidade
Que lhes foi dada.
Estão ao menos guardados
Não foram por aí
Deixados
Mas fechei-os
Ao fundo de uma gaveta
Para não os ouvir
Eu que tanto gostava
De os escutar
Sentar-me com eles
A conversar
A delirar.
Fechei-os lá, amordaçados.
Não consigo mais,
Ouvi-los.
As mãos tremeram
Ao apertar o laço
Mas não podia mais olhá-los
Assim,
Desfeitos em pó.
Lembrar
De como um dia
Foram promessa…
![]() |
| Foto da web |
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3/29/2014 09:07:00 da tarde
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quarta-feira, 5 de março de 2014
Vento em mim
![]() |
Foto: Hat Yao Palm_Shawn Allen
|
Uiva o vento
Na janela do meu ser.
Calmia preciso.
Este haicai foi publicado originalmente aqui, no Blog Pense fora da caixa
sábado, 1 de março de 2014
Cinzel
Se soubesse de que é feita
Procuraria as ferramentas certas
Para te arrancar essa máscara.
Não por mim
Que te vejo transparente,
Mas por ti
Que evitas espelhos
E não sabes onde seres tu.
Talvez seja de mármore
Perfeita como as estátuas dos Deuses
Mas fria ao toque
E para sempre estanque.
Um cinzel.
Aquele que usas para apagar as imperfeições.
Para alterar o ângulo.
Se eu tivesse força suficiente
Talvez o cinzel a partisse.
![]() |
| Arte: Wiesław Wałkuski |
terça-feira, 26 de novembro de 2013
That small part of me
![]() |
| Tela: ADN, Sérgio Santos Sérgio Santos Artwork: https://www.facebook.com/pages/S%C3%A9rgio-Santos-Artwork/513219785439619?fref=ts
I can be
Whom ever you want
Me to be
Accept
A new mask each day
From your hand
But there’s a part of me
You’ll never kill
It’s only hidden from your
Cruel eyes
You will never change
That small bit of me
The one which defines
Who I really am
That you’ll never be able to change
Even reach
It will never be yours
|
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Isa Lisboa
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11/26/2013 09:45:00 da tarde
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quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Mudanças
Ao acordar algo me parecia
diferente no quarto. Não conseguia perceber o quê. Talvez fosse apenas sono,
ainda.
Saí para a manhã e a luz
não era a mesma dos dias antes. Em quê era diferente, não conseguia perceber.
Era meio tom mais clara, ou mais escura, mas meio tom apenas. Fosse como fosse,
parecia iluminar-me mais.
O dia foi correndo, e tudo
era igual, mas diferente. Estava definitivamente diferente.
![]() |
| Foto: hand_hands_reflection_ by Suri |
Mas continuava sem
perceber o quê.
Observava tudo e todos, mas
em nada e em ninguém conseguia identificar o que estava diferente do dia
anterior.
Passei em frente a uma
montra, e vi algo que parecia dar-me a resposta, mas era hora de seguir, o dia
avançava, não podia ficar ali a procurar.
Cheguei a casa, já de
noite, o céu estrelado estava diferente, não sabia bem em quê, a porta de casa
parecia diferente, não sabia bem em quê. A chave entrou, a porta abriu, ainda
estava em casa, apesar do dia diferente.
Parei então; ao passar em
frente ao espelho, lá estava a resposta que havia apenas vislumbrado antes. Não
a vi logo, mas quando parei e olhei, vi.
Era o meu espelho que estava
diferente, o que ele me devolvia estava diferente.
Este conto foi escrito e publicado originalmente no Blog Pense fora da caixa, onde colaboro regularmente.
Convido-vos a ler as minhas outras publicações lá, bem como as dos restantes autores.
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Isa Lisboa
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10/02/2013 11:35:00 da tarde
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sexta-feira, 19 de julho de 2013
Buscas
sábado, 6 de julho de 2013
Menina asas de borboleta
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Isa Lisboa
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7/06/2013 11:32:00 da manhã
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quinta-feira, 27 de junho de 2013
Fera / Feline
| Catarina, tela de Carlos Saramago - http://carlos-saramago.blogspot.pt/ |
Olho-me
Estou ali mesmo
- À minha frente -
Não entendo os meus olhos
Ou não me guiam bem;
Sou reflexo
Desse outro olhar
Que me procura
Que me fixa
- No que não sei se sou –
Fera, selvagem, primitiva
Livre.
- Chama-me –
Espelho? Pode ser mera Ilusão.
Não importa.
- Vou –
*-*
I look at myself
I’m right there
- In front of me –
I don’t understand my eyes
They don’t guide me well;
I’m reflection
Of those other eyes
Who look for me
Who tie me
- To that I don’t know if I am –
Feline, wild, primitive
Free.
Call for me
Mirror? May be only an Illusion
Doesn’t matter.
- I’m going -
sábado, 11 de maio de 2013
A sala dos espelhos / Mirror room
Brian Crain - Time Forgotten
Avisaram-me sobre a sala dos
espelhos, mas eu não quis ouvir. Há quem tenha saído de lá louco, disseram-me.
Eram as histórias da Casa do Terror, faziam parte do apelo, pensei eu.
Ao entrar, vi espelhos a toda a
volta, uns maiores que outros, dourados, prateados, de ferro forjado, de
madeira apenas, quase sem tinta, alguns. Estavam ali, eu no meio.
Olhei e vi-me, não o comum reflexo,
era eu e não era eu. Havia um eu em cada espelho.
Roupas diferentes, cabelo diferente,
cabeça erguida de forma diferente, sorriso mais ou menos aberto.
Um eu em cada espelho. Cada uma me
olhava, bem no fundo de mim, bem no fundo dela.
Quem são vocês, somos tu. Seríamos
tu.
E então apontaram-me os dedos
acusadores. Seríamos tu, quem poderias ter sido, somos quem não tiveste coragem
de ser. Não, não pode ser, tinham razão, a sala dos espelhos trazia-nos a
loucura. Cobarde, apontavam, cobarde, gritavam. Podias ter sido eu, se tivesses
ido por ali, dizia uma, por além dizia outra, se tivesses ficado quieta, outra
ainda…
Não, vocês não são eu! Gritei. Eu sou
eu. Sou todas as escolhas, quem eu não fui já não existe, nunca existiu, EU
escolhi que não existissem!
E então os espelhos calaram-se.
Percebi que estava liberta. Podia ir, os meus eus estavam em paz comigo.
Deixaram-me ir. Embora por vezes ainda me pareça que me sussurram aos ouvidos…:
Podias ter sido eu…
*-*-*-*
They
warned me about the hall of mirrors, but I didn’t listen. Some have gotten out
of there crazy, they told me. Those were
the stories of the House of Terror, were part of the appeal, I thought.
Upon
entering, I saw mirrors all around, some larger than others, gold, silver,
wrought iron, wood only, almost out of ink, some. They were there, me in the
middle.
I
looked and saw myself, not the common reflection, it was me and it wasn’t me. I
had one I on each mirror.
Different
clothes, different hair, head up differently, smile more or less open.
An I
in every mirror. Each one looked at me, deep inside of me, deep inside her.
Who
are you, we are you. We would be you.
And
then they pointed me with accusing fingers. We would be you, who you could've
been, who you had no courage to be. No, it couldn’t be, they were right, the
hall of mirrors brought us crazy. Coward, they pointed, coward, they shouted.
You could have been me, if you had gone that way, said one, that other way said
by another, if you had been quiet, yet another ...
No,
you are not me! I yelled. I am me. I'm all choices, who I have not been doesn't
exist, never existed, I chose that they do not exist!
And
then the mirrors were silent. I realized I was free. I could go, my selves were
at peace with me. They let me go. Although sometimes it still feels they
whisper in my ears ...: You could have been me ...
Isa Lisboa, 10.02.2013
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Isa Lisboa
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5/11/2013 12:10:00 da tarde
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sábado, 6 de abril de 2013
(Des)Esperança / (Un)Hope
Azam Ali – I’m a
strange in this world
O
tempo para ser ela mesma era sempre tão pouco! Passava sempre tão depressa
aquele pedaço que tinha.
Todo
o resto do tempo era para os carnavais de que já não conseguia fugir.
Durante
muito tempo tentou, remou contra a maré, teimosa, solitária.
Um
dia sentiu uma dor vinda de dentro, não era no coração, era em todo o lado, é
assim quando nos dói a alma! Uma dor tão forte que a derrubou, caiu de joelhos,
caiu o corpo todo de seguida.
Sentiu
as lágrimas a caírem, eram lágrimas de cristal, pareciam, afinal eram apenas de
vidro, ao caírem no chão transformavam-se em pedaços finos de matéria.
Apanhou-os
em concha nas mãos, viu o seu brilho, viu neles reflectida a inevitabilidade.
Com
eles fez as suas máscaras, nunca podemos usar só uma, muitos são os carnavais.
Usa-as
sem orgulho, mas com resignação. Um dia todos aceitam que não escolhem o seu
destino.
Mas
reserva sempre um momento para as tirar, é curto o tempo, mas é dela, ainda é
ela, naquele pedaço de tempo.
À
noite, quando vai dormir, deixa as máscaras longe do quarto, no bengaleiro da
entrada, é outro momento em que é livre.
Já
percebeu que quem adormeceu com elas… nunca mais conseguiu tirá-las.
São
de vidro… tem uma ténue esperança, ainda, de que um dia se partam, pó de vidro
novamente…
***
The time to be herself was always so
little! It always went by so quickly that piece she had.
The rest of the time was for the
carnivals that she could no longer escape.
For a long time she tried, paddled
against the tide, stubborn, lonely.
One day she felt a pain coming from
inside, it was not in the heart, it was everywhere, so it is when the soul
hurts! A pain so strong it knocked her, she dropped to her knees, her whole
body dropped then.
She felt the tears fall, they were
crystal tears, it seemed, but after all they were only glass, when they fell to
the ground, they turned into fine pieces of matter.
She caught them in cupped hands; saw how
they shined and how they reflected the inevitability.
With it she made her masks, we can
never wear just one, there are so many carnivals.
She wears them without pride, but with
resignation. One day everyone accepts they can not choose one’s fate.
But she always reserve a time to take
them out, time is short, but it her’s, she is still hersel, at that piece of
time.
At night when she goes to sleep, she lets
the masks away from the bedroom, at the cloakroom at the entrance, is another
moment when she is free.
She has realized that those who slept
with them ... never managed to get them out.
They are made of glass... she has a faint
hope, still, that one day they breack, powdered glass again ...
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4/06/2013 01:57:00 da manhã
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quarta-feira, 20 de março de 2013
Nua / Naked
Baseado no meu ultimo post e em alguns dos comentários que me
deixaram aqui…:
Nua
-----------------------------------------
Pele,
músculo, osso.
Empurrada,
nua, na rua.
.Alma.
-----------------------------------------
Based on my last post and on some of the comments left here:
Naked
--------------------------------------------------
Skin, muscle, bone.
Pushed, naked, on the street.
.Soul.
---------------------------------------------------
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Isa Lisboa
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3/20/2013 08:34:00 da manhã
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sábado, 16 de março de 2013
Skin / Pele
Brian Cain, Wind
You took all my skin off. In
just a few seconds, all my veins were in sight, showing the blood, flowing in
it’s own rhythm towards the destination. And coming out again. Showing each
one’s pulse, the more anxious, jumping from time to time, the more calm,
enjoying the sight.
With
another movement, they came off too.
Only muscles, now.
Trying to hold together. All little fibres getting closer as if they were
trying to form a sweater.
At
last, I saw myself as only bones,
glued to each other, desperately, sadly,
keeping formation.
It was
winter. I started getting colder.
Got worse when I realized I was no longer inside. I was in the middle of the street. At rush hour.
Some
didn’t even noticed me. From the ones who saw me, only a few looked at me.
Those smiled. The others kept on going,
faster, faster.
It was
getting so much colder now. And I got mad. How
could you? Put me so undressed, in the middle
of the street, in winter? How could I left… How…
A
click. Bones touching.
People
started moving even faster now.
So did
my senses. I felt warmer.
So I
asked time and space to stop, so that I
could see them. And all the runners.
I saw
the bandages some had on the skin,
holding it together.
I had
to peek, see if they were made of bone,
just like me. They were.
They
must have been on that spot once, too. Naked
on the street. But they had bruises from the cold. They seemed to have
dressed the skin back in a hurry. If the zipper got stuck, they’ve used glue.
Some
made it harder on me. They had too much makeup. Through a slight breach, I saw
them moving like pretty dolls, with perfect hair, tied in perfect little pig tails, having an imaginary cup of tea.
They
looked at me, too. They politely
said I should get dressed.
No, not yet.
I want
to know what it’s like to kiss if you have no lips, and to touch if you have no
skin. And I want to look at you, now
that we are both free.
Writen 18.Nov.2005
***
Arrancaste-me a pele. Em apenas alguns segundos, todas as minhas veias estavam
à vista, mostrando o sangue a fluir ao seu ritmo rumo ao seu destino. E saindo
de novo. Mostrando o pulsar de cada uma, as mais ansiosas, saltando de tempos a
tempos, as mais calmas, apreciando a vista.
Noutro movimento, também elas foram
arrancadas.
Apenas músculos, agora. Tentando manter-se juntos. Todas as pequenas fibras
juntando-se, como se estivessem a tentar
formar uma camisola.
Finalmente, vi-me como apenas ossos, colados uns aos outros, desesperadamente, tristemente, mantendo a
formação.
Era inverno. Comecei a ficar com mais frio. Piorou quando percebi que
já não estava em casa. Estava no meio da rua. Na hora de ponta.
Algumas pessoas nem sequer repararam
em mim. Dos que me viram, apenas alguns olharam para mim. Esses sorriram. Os
outros continuaram, mais rápido, mais
rápido.
Estava a ficar mais frio agora. E
então fiquei furiosa. Como pudeste? Deixar-me
assim tão nua, no meio da rua, no inverno? Como pude eu deixar…Como…
Click. Ossos a tocarem-se.
As pessoas começam a mover-se mais rápido agora.
Também os meus sentidos. Senti-me
mais quente.
E então pedi ao tempo e ao espaço para pararem, para que eu os pudesse ver. E
a todos os corredores.
Vi as ligaduras que alguns tinham na pele, segurando-a.
Tive que espreitar, ver se eram
feitos de osso, assim como eu. Eram.
Devem ter estado naquele lugar, um
dia, também. Nus na rua. Mas tinham
feridas do frio. Parecia terem vestido a pele à pressa. Quando o fecho
emperrou, usaram cola.
Alguns dificultaram-me a vida. Tinham
demasiada maquilhagem. Por uma pequena brecha, vi-os a moverem-se qual pequenas bonecas, com cabelo perfeito, atado em totós perfeitos, tomando uma chávena de chá imaginária.
Também eles olhavam para mim. Educadamente, disseram-me que devia
vestir-me.
Não, ainda não.
Quero saber como é beijar, quando não
tens lábios, e tocar quando não tens pele. E
olhar-te, agora que somos ambos livres.
Retirado do baú, 18.Nov.2005
Publicada por
Isa Lisboa
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3/16/2013 10:32:00 da manhã
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